09 de julho de 2026
Geral

Locomotiva 278 volta para os trilhos

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 5 min

Símbolo de um momento histórico importante no desenvolvimento de Bauru, a locomotiva a vapor 278 - construída em 1919 e recuperada pela Secretaria Municipal de Cultura e parceiros através do projeto Ferrovia para Todos - será apresentada amanhã a patrocinadores e convidados. O evento será realizado na antiga estação Noroeste do Brasil, às 20h.

A apresentação da maria-fumaça será realizada no dia em que se comemora o aniversário da estrada de ferro Noroeste do Brasil.

A entrega da locomotiva restaurada é o primeiro passo para a reforma completa da composição histórica presente em Bauru, que conta com sete vagões. A idéia da Secretaria de Cultura é colocá-la em funcionamento no trecho férreo que vai do centro de Bauru a Curuçá, na Vila Dutra.

Serão dois quilômetros de percurso. O objetivo é promover passeios de cunho turístico e pedagógico. Para Sérgio Losnak, titular da Secretaria Municipal de Cultura, o projeto ajudará a população a entender a importância da ferrovia para a história de Bauru.

“Isso significa a reconstrução da nossa memória - do físico para o emocional e para o intelectual. Esse objeto vai remeter a um entendimento bastante variado - tanto para o senhor que trabalhou na ferrovia como para criança de seis anos, que vai entender o que foi a cidade na época”, diz o secretário.

O passeio, cuja previsão é de início no segundo semestre de 2003, deverá ser realizado em dois dias da semana, duas vezes por dia. Em um dia, ele será aberto ao público, com cobrança de ingressos para manutenção da locomotiva. O segundo dia de passeio será destinado a alunos de escolas da cidade.

“Apesar da locomotiva estar andando, o percurso não vai se iniciar agora. Ainda estamos aguardando investimentos para viabilizar a recuperação dos sete vagões - quatro dormitórios, um de bagagem, um restaurante e um de passageiros”, expõe Losnak.

A recuperação da locomotiva custou R$ 35 mil. Em média, serão gastos R$ 20 mil para material e manutenção de cada um dos sete vagões. O custo total da recuperação dos vagões e da locomotiva, incluindo as parcerias já viabilizadas, mão-de-obra da Novoeste e da Secretaria Municipal de Cultura, é de R$ 209 mil.

O secretário explica que a recuperação da maria-fumaça 278 faz parte de um projeto amplo que envolve também o funcionamento da composição, a implantação do módulo 2 do Museu Ferroviário Regional de Bauru e a publicação de livros com registros de depoimentos de operários que trabalharam na ferrovia

Parcerias

A próxima etapa do projeto, portanto, é conseguir outros parceiros para a recuperação dos vagões. A Secretaria de Cultura sugere que empresários “adotem” um vagão.

A restauração de um dos vagões - o carro de passageiros - já foi iniciada através de parceria com a Faidiga Madeiras. A empresa doou toda a madeira necessária para a reforma da locomotiva e do carro de passageiros. Falta mão-de-obra, já que apenas um funcionário da prefeitura está fazendo o trabalho lentamente.

“Isso para nós é muito importante porque trata-se de um projeto grande. O envolvimento de segmentos da sociedade tem que estar inserido”, reforça Losnak.

O grupo Brasil Ferrovias, por meio da Novoeste, é mais um parceiro importante por auxiliar com serviços específicos de ferroviários.

O Jornal da Cidade, parceiro da Secretaria Municipal de Cultura, fará o marketing do projeto para ajudar a viabilização de novos parceiros.

De acordo com o diretor do Grupo Cidade, Renato Zaiden, os investidores terão retorno em outdoors, merchandising, materiais promocionais, eventos e visibilidade da marca através de jornal, rádio e Internet.

“Estamos patrocinando com o objetivo de mostrar à comunidade - e em especial aos empresários - aquilo que se pretende fazer em termos de marketing para que os investidores possam ter retorno do que foi aplicado ali”, expõe Zaiden.

Para o diretor, o projeto é importante na medida em que reúne os aspectos históricos, culturais, de turismo e lazer. “O resgate da velha composição, agregado ao Museu Ferroviário, vai possibilitar mais uma opção de lazer ao público de Bauru e às pessoas que nos visitam”, diz.

O projeto Ferrovia para Todos conta com apoio da Faidiga Madeiras, designer André Petraglia, Universidade Estadual Paulista (Unesp) “Júlio de Mesquita Filho”, Ferroviários Aposentados, Associação Amigo dos Museus, Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) - Bauru, Centro de Interação Social (Cite), Jornal da Cidade, Rádio Unesp, Rádio Auri-Verde, TV Record, Bauru Painéis, Lwart-Porasfar, Seagro Engenharia, Secretarias Municipais de Obras, Meio Ambiente e das Administrações Regionais.

Serviço

Os interessados em colaborar com o projeto Ferrovia para Todos podem obter outras informações na Secretaria Municipal de Cultura, cujos telefones são (14) 235-1072 e (14) 235-1088.

Publicação de livros

Estão participando do projeto quatro pesquisadores, sendo dois da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e dois da Prefeitura de Bauru. A coordenação é de Célio Losnak, do Departamento de Ciências Humanas da Unesp de Bauru.

De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura, faltam registros da memória do operariado. O que há resume-se a documentos de memorialistas ou das próprias empresas.

“Os depoimentos são uma reprodução mais emotiva. Transcrever as falas é transcrever mais emoções. Os depoimentos são cheios de emoção”, observa o secretário de Cultura, Sérgio Losnak.

Já foram captadas informações de ferroviários da Companhia Paulista, que estão sendo transcritas para dar origem ao primeiro volume das publicações do projeto “Memória Oral”. A previsão é de que o livro seja lançado no início de 2003.

Os volumes seguintes serão baseados em depoimentos dos ferroviários da Novoeste e da Sorocabana. O custo total do projeto é de R$ 29 mil.