O mercado publicitário de Bauru está vivendo um momento de retomada de investimentos. Depois de um primeiro semestre complicado e com pouca movimentação financeira, segundo publicitários ouvidos pela reportagem do JC, os anunciantes estão correndo atrás do que deixaram de aplicar e impulsionando o setor.
“Tudo o que não foi concretizado no primeiro semestre, está sendo agora. Eu acredito que houve um aquecimento do mercado”, salienta Alexandre Carvalho, sócio-diretor da agência Empório da Comunicação.
Armando Martins, diretor de planejamento da agência MR/Tempo ressalta que, apesar da crise financeira enfrentada pelo País, o setor de publicidade em Bauru não está estagnado. De acordo com ele, o mercado já estava esperando um arroucho durante este ano devido à Copa do Mundo e às eleições, que mudam o cenário econômico e político do País. “Ficou um pouco além da conta, mas não pegou ninguém de surpresa”, salienta.
Carvalho destaca que a movimentação no setor está se dando não somente pelos investimentos feitos por anunciantes tradicionais, como também por novos clientes. “Empresas que nunca tinham anunciado antes estão em busca de divulgar a sua marca e aparecer na mídia”, ressalta.
Para ele, o mercado está aquecido principalmente porque os empresários se deram contam de que precisam reforçar a imagem de seu produto em momentos de crise econômica. “Os anunciantes estão cada vez mais conscientes de que não podem deixar de expor a sua marca. Se ficarem parados, a concorrência passa por cima e a sua mercadoria acaba sendo esquecida pelo consumidor”, destaca Carvalho.
O 12.º Encontro Internacional de Comunicação - Maximídia 2002 -, realizado na semana passada, no Transamérica Expo Center, em São Paulo, discutiu justamente esse assunto.
Durante quatro dias, foram realizados 14 painéis de debates com profissionais renomados do setor, tanto nacionais quanto estrangeiros.
Cenário positivo
O principal destaque dos seminários ficou por conta das perspectivas para o novo ano, que deverá começar com muitas novidades por conta da mudança do comando do País. “Eu acredito que, no geral, 2003 será melhor do que este ano”, salienta José Carlos Salles Neto, presidente do grupo de mídia Meio & Mensagem, organizador do Maximídia.
Ele destaca que os participantes do evento puderam absorver, nos painéis de debate, que mais uma vez terão de enfrentar um período difícil no próximo ano. “O primeiro semestre será trabalhoso mas, eu creio que teremos uma melhora de posição no segundo semestre, quando os fatos mundiais que influenciam a crise vão começar a se acomodar”, explica.
Essa tese foi reforçada pelo consultor norte-americano Jack Myers, em sua conferência no painel “Surpresa! O que os anunciantes esperam da mídia?”, no Maximídia. Ele destacou que o setor de mídia dos Estados Unidos, ao contrário do que muita gente imaginou, deverá crescer 3% em 2003.
“Logo após os ataques terroristas de 11 de setembro, nos Estados Unidos, as previsões mais otimistas acreditavam numa queda de 5% a 7% do mercado. Mas os anunciantes reconheceram que a mídia é o principal canal para retomar o crescimento do País”, disse o consultor em sua palestra.
Salles Neto explica que as grandes companhias, que costumam investir pesado em mídia, também têm essa consciência. De acordo com ele, houve um enxugamento nas verbas de mídia, mas ninguém deixou de aplicar recursos para se manter em evidência no mercado. “A empresa não pode desaparecer. Ela tem de estimular o processo de retomada do poder de compra do consumidor”, diz, enfatizando que o setor vai fechar o ano com o mesmo volume de negociação do ano passado.
Mídia impressa
O diretor comercial do jornal O Dia, do Rio de Janeiro, Paulo Fraga, disse, durante o painel “O varejo e a mídia. Cliente ou concorrente?”, apresentado no terceiro dia do Maximídia, que 45% das empresas do ramo de varejo preferem investir seus recursos de propaganda na mídia impressa.
Essa tendência é uma característica clássica do setor, um dos que mais movimenta a economia do País.
De acordo com Salles Neto, o que atrai o anunciante para o jornal ou a revista é a durabilidade e o espaço ofertado por esses veículos de comunicação. “A mídia impressa tem um peso fundamental para 99% dos anunciantes do varejo”, ressalta o presidente do grupo de mídia Meio & Mensagem.
Para Armando Martins, da MR/Tempo, a facilidade da mídia impressa para o varejo se explica pela sua característica de fazer circular mais rápido a mercadoria. “Ela tem a referência impressa de preço, ou seja, o consumidor sente-se mais à vontade para pesquisar promoções antes de realizar a sua compra”, destaca.