07 de julho de 2026
Gastronomia

Nhoque da sorte

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 8 min

Se você esqueceu de comprar batatas, ainda dá tempo para preparar seu nhoque da sorte, garantia de que os dias nascerão mais radiantes no próximo mês. Esse será o cardápio de hoje em casa, em vários restaurantes e no seu lar, espero, um doce lar, caso tenha alguma habilidade para o enrolar e o cortar dos bolinhos.

O nhoque foi o primeiro tipo de massa caseira nascida na Itália. Antecede em quilômetros o espaguete, o ravioli e seus priminhos longos, de grano duro. Renomados gastrônomos garantem que o nhoque existe desde o tempo dos antigos gregos e romanos, que, erroneamente, o chamavam de macarrão.

Mais adiante, na Idade Média, passou a ser chamado de gnocchi, ganhando a preferência até mesmo dos napolitanos, adeptos indiscutíveis das massas de fio longo, que caíram de boca na variação.

O tempo foi passando e a massa foi ganhando novas combinações, com a batata e a farinha de trigo se enriquecendo com espinafre, abóbora, ricota e até mesmo milho-verde, prato de resistência criado no Brasil pelo chef francês Laurent Suadeau.

Hoje, a imaginação gastronômica corre solta e é possível se encontrar, além do tradicional nhoque de batata, o de batata-doce, de mandioca, de mandioquinha, de abóbora e de cará.

Como o assunto hoje é sorte, o que importa mesmo é você seguir o ritual. Segundo os senhores dos anéis, dos dedos e do fim da urucubaca, deve-se comer sete bolinhos de nhoque em pé, com algum dinheiro debaixo do prato, seja o valor que for e fazer um pedido. Depois é só guardar esse dinheiro como um amuleto até o próximo dia 29.

Outra dica: mastigue sete vezes cada um dos sete nhoques e pense em coisas boas. O poder do pensamento é surpreendente. Pense positivo e alcançará.

Bom domingo e boa sorte!

Nhoque recheado

• 1 1/2 kg de batatas, cozidas e espremidas

• 1 queijo Catupiry

• 9 colheres (sopa) de farinha de trigo

• 2 peitos de frango

• 1 cebola batida

• 1 litro de leite

• 1 colher (sopa), bem cheia, de Maizena

• 1 lata de creme de leite

• 1 lata de molho de tomate

• Mussarela ralada grosso

Misture as batatas, o Catupiry, sete colheres de farinha de trigo e salsa picadinha. Amasse bem e reserve.

À parte refogue os peitos de frango em óleo, com a cebola, sal, louro, pimenta e um galho de manjericão. Pingue água e deixe até cozer a carne. Desfie o frango e reserve.

Bata, no liqüidificador, o leite, a Maizena, duas colheres bem cheias de farinha e o creme de leite. Leve ao fogo, mexendo sempre, até engrossar.

Prepare um molho, com a lata de molho, cebola refogada no óleo, pimenta, cheiro-verde. Coloque água fervendo, se necessário.

Cubra o fundo de um refratário com molho branco. Coloque bolinhas feitas com a massa de batatas e recheadas com frango, ponha outra camada de molho branco e joque por cima o molho de tomates. Espalhe mussarela e leve ao forno.

Nhoque de ricota

• 1 kg de ricota

• 10 colheres (sopa) de farinha de trigo

• 6 ovos separados

• 1 colher (sopa) de manteiga

• Queijo ralado

Amasse a ricota com um garfo e passe-a por uma peneira. Depois, misture-a com a farinha de trigo peneirado e com as gemas. Reserve.

Bata as claras em neve e acrescente cuidadosamente à mistura anterior, mexendo bem. Sobre uma superfície enfarinhada, forme rolinhos com a massa e corte em pedaços com cerca de 2 cm. Numa panela aqueça água até levantar fervura e tempere com sal. Cozinhe os nhoques na água. Se preferir, use uma colherinha de café como medida e cozinhe a massa às colheradas. Quando os nhoques subirem à superfície retire com uma escumadeira, coloque-os num refratário e reserve. Numa panela, derreta manteiga e espalhe por cima dos nhoques. Sirva com molho de carne de sua preferência e, por cima, espalhe queijo ralado. (Receita Janete Inglez, do Paraná)

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Na Argentina, o nome gnocchi está associado aos funcionários públicos que só passam na repartição no dia 29, para receber seu salário.

Lá, no Brasil e na Itália, o ritual da sorte, no dia 29, coincide com o dia do recebimento dos salários. Para evitar apertos no mês seguinte os trabalhadores comem a massa colocando um dinheirinho debaixo do prato

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Nhoque do Lellis

(para 2 pessoas)

• 250 g de batatas

• 100 g de farinha de trigo

• Sal a gosto

• 1 gema de ovo

• 2 litros de água

• 1 colher de sopa de óleo

Cozinhe as batatas e passe-as pelo espremedor. Acrescente a gema de ovo, a farinha de trigo e o sal a gosto. Misture bem, sovando a massa com a mão até ficar bem homogêneo. Faça bolinhas e enrole-as até formar rolinhos compridos de, aproximadamente, um dedo de espessura. Corte-as em pedacinhos, do tamanho desejado. Salpique a massa com farinha de trigo, para não grudar.

Ferva a água com o óleo. Quando estiver bem fervendo coloque a massa e espere que estas cheguem à superfície da panela. Retire-as com uma escumadeira. Reserve.

Molho

• 4 tomates

• salsão, cebola, alho

• pedaços de carne, frango

• cheiro-verde a gosto

• 250 g de carne moída

• 1 colher de sopa de óleo

Cozinhe os tomates, com pele, junto com o salsão, a cebola, o alho, pedaços de carne e frango e o cheiro-verde. Depois de cozido, bata tudo no liqüidificador e passe por uma peneira. Coloque no fogo, novamente para ferver. Se criar uma espuma na superfície, retire-a com uma colher. Pegue a carne moída, tempere a gosto e refogue em óleo. Acrescente o molho de tomate, misture bem e deixe ferver.

Sirva sobre o nhoque e salpique com queijo parmesão. (Receita Lellis Trattoria - Rua Bela Cintra, 1849, Jardins, São Paulo)

Gnocchi di Castagne

(6 pessoas)

• 400 g de castanhas cozidas e descascadas

• 200 g de batatas cozidas e descascadas

• 140 g de farinha de trigo

• 2 gemas

• Parmesão ralado, cebolinha francesa picada e sal a gosto

Para o molho

• 18 tulipas de frango

• 500 ml de creme de leite

• 250 g de cebola

• Louro, sálvia e alecrim a gosto

• 300 ml de vinho branco seco

• 5 colheres (de sopa) de óleo de oliva

• Sal e pimenta a gosto

Para o fond

• 1 cenoura

• 1 alho-poró

• 1 cebola picada

• 4 asas de frango

• 1 litro de água

• 6 grãos de pimenta-do-reino

• Louro e tomilho a gosto

Escolha ingredientes bem frescos, preferindo castanhas portuguesas - além do sabor, elas dão melhor liga do que as nacionais.

Comece pelo fond. Refogue a cebola. Junte as asas de frango e doure com o alho-poró, a cenoura e os temperos. Adicione a água e cozinhe. Reduza o fond ao volume de um copo. Coe e reserve.

Passe no espremedor as castanhas e as batatas, ainda quentes. Junte a farinha, as gemas e o sal. Misture bem.

Enrole a massa na espessura de um dedo. Corte-a na forma de gnocchetti, deixando-os sobre uma superfície polvilhada com farinha.

Refogue no óleo a cebola picada. Acrescente as tulipas. Tempere com o sal, a pimenta, o louro, a sálvia e o alecrim. Acrescente o vinho e deixe reduzir.

Quando as tulipas estiverem cozidas, retire-as e reserve em forno pré-aquecido. Retire o óleo e as ervas, junte o fond.

Deixe tomar consistência. Acrescente o creme de leite e deixe reduzir.

Cozinhe os gnocchetti al dente, usando uma panela alta e de boca larga. Retire-os assim que forem subindo à superfície.

Sirva as tulipas, os gnocchetti, juntando o molho, o parmesão ralado e a cebolinha francesa picada (o parmesão pode ser bastante, mas evite abusar da cebolinha). (Receita tradicional italiana, de Jayme Brandão - Revista Gula)

Nhoque de abóbora

• 1,8 kg de abóbora-menina madura com casca, cortada em pedaços

• 700 g de ricota

• 1 gema

• 1 1/2 xícara de queijo parmesão ralado

• 1 xícara de farinha de trigo

• 1 colher (chá) de sal

• 1/2 colher (chá) de noz-moscada

Para o molho

• 1/2 colher (sopa) de orégano seco (opcional)

• 1/2 xícara de manteiga

Preaqueça o forno a 250ºC (bem quente). Numa assadeira, leve a abóbora ao forno por cerca de uma hora ou até que fique macia. Retire a polpa da casca com uma colher e passe por uma peneira sobre uma tigela, amassando devagar para tirar o excesso de líquido. Numa panela grande, ferva 5 litros de água em fogo alto. Passe pelo processador a ricota, a gema, o parmesão (reserve 1 1/2 colher de sopa para polvilhar), a farinha, o sal e a noz-moscada até obter uma pasta. Junte à abóbora peneirada e misture com uma colher de pau até ficar homogênea.

Retire porções de massa equivalentes a 1/2 colher (sopa) e despeje aos poucos na água fervente. Conforme forem subindo à superfície, tire com uma escumadeira e reserve em uma travessa grande.

Prepare o molho:

Numa panela pequena, derreta a manteiga com o orégano. Derrame sobre o nhoque e misture devagar. Polvilhe o queijo parmesão reservado e sirva em seguida. (Receita livro Jantares Abusados, Cláudia Cozinha, vendido em bancas)

Nhoque de cará

• 1 kg de cará

• 5 colheres (sopa) de farinha de trigo

• 1 ovo

• 1 colher (sopa) de margarina

• Sal a gosto

Cozinhe o cará com casca. Descasque e passe-o pelo espremedor, junte o ovo, a farinha de trigo, o sal, a margarina e amasse bem.

Em superfície enfarinhada, faça bolinhos e corte em pedaços de aproximadamente 3 cm. Em um caldeirão, ferva bastante água com sal.

Vá jogando os nhoques na água fervendo, quando subirem à tona, retire com uma escumadeira e coloque no escorredor de macarrão. Sirva com o molho de sua preferência.

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