Areiópolis - Um investigador da Polícia Civil de Areiópolis é acusado de matar na madrugada de ontem o lavrador Edmar de Cássio Antônio, 21 anos. O crime aconteceu na Vila Cremer, em Areiópolis.
A família da vítima, baseada em depoimentos de testemunhas, afirma que Edmar estava voltando de um bar com um amigo quando foi abordado por um policial conhecido como “Virgílioâ€, que disparou contra o rapaz.
O irmão do lavrador, Wilson Antônio, 26 anos, não soube informar em que região do corpo o tiro atingiu Edmar. Ele disse que o rapaz sofreu uma parada cardio-respiratória antes de chegar ao Pronto-Socorro Municipal de Areiópolis.
Posteriormente, o corpo foi conduzido ao Instituto Médico Legal (IML) de Botucatu.
“Eles estavam em quatro e iam levar as meninas embora. O policial colocou-o contra a parede, sacou a arma e disparou. Ele não estava em serviçoâ€, afirma Wilson. “Tem bastante testemunha dissoâ€, garante.
O irmão afirma, ainda, que o policial saiu da cidade. “Ele não prestou socorro e desapareceu. Ele foi na delegacia, deixou a arma e os documentos e foi emboraâ€, enfatiza.
Segundo Wilson, Edmar estaria há algum tempo sendo perseguido por Virgílio. “Eu só quero que os fatos sejam apurados com rigorâ€, reforça. Ele é o irmão caçula de uma família tradicional da cidade que tem 20 filhos. Entre eles está sua irmã gêmea.
Outra versão
O delegado Emerajal Torres, de Areiópolis, afirma que o crime aconteceu em decorrência de um flagrante de tentativa de furto. Dois investigadores estariam fazendo ronda no local quando viram dois rapazes que supostamente pretendiam arrombar a porta de uma quitanda que fica na rua José Bentivenha.
A porta não chegou a ser arrombada. “Eles pretendiam arrombar a porta do estabelecimento para pegar dinheiro e comprar droga. Estavam na iminência de arrombarâ€, afirmou o delegado.
No momento da abordagem, um dos rapazes teria fugido. Torres afirma que Edmar sacou uma arma para tentar reagir e Virgílio disparou. O delegado não informou ao JC o nome completo do policial acusado.
“A ação dele foi legítima. Tanto é que se não fosse, ele estaria presoâ€, afirma Torres.
Virgílio estaria usando um carro pessoal para fazer a ronda. â€œÉ uma praxe que nós temos. O policial plantonista anda com o carro dele. É comumâ€, diz.
No plantão policial, foi registrado um auto de resistência seguida de morte. Um inquérito foi aberto e as testemunhas serão ouvidas. Virgílio deve responder a uma sindicância administrativa.
A arma do policial, uma pistola semi-automática Taurus de calibre 45, foi apreendida, assim como a arma que supostamente seria de Edmar, uma bereta de calibre 635.
Torres afirma que o policial foi para Botucatu para prestar esclarecimentos na Delegacia Seccional.
De acordo com o delegado, Edmar era conhecido pelos policiais. Ele não soube, no entanto, informar se a vítima já tinha passagens anteriores pela polícia.
O irmão da vítima contesta a versão apresentada por Torres. “Isso é mentira. A namorada e as pessoas que estavam no local já foram até ameaçadas pelos policiais para não contar a verdade. O policial que matou o meu irmão está sendo encobertoâ€, destaca.
“Não é a versão que o delegado está contando. Ele está tentando encobertar o casoâ€, acrescenta Wilson.
O titular da Delegacia Seccional de Botucatu, Tadeu Campos de Castro, não quis falar sobre o assunto.
O corpo de Edmar foi velado ontem e o sepultamento será realizado às 9h de hoje, no cemitério da cidade.
Ameaça
Testemunhas da morte do lavrador Edmar de Cássio Antônio afirmam ter sido ameaçadas para não falar sobre o que sabem sobre o fato. A informação é de uma das pessoas que estava nas proximidades do local em que o crime aconteceu e que preferiu não se identificar.
O rapaz que estava com a vítima no momento em que foi abordada pelo policial civil teria sofrido agressões físicas para que ficasse quieto. “Pediram para ficar todo mundo em silêncioâ€, afirma.
A testemunha diz que Edmar foi baleado quando tentou virar o corpo para conversar com o policial.
Um conhecido de Edmar foi até o Pronto-Socorro Municipal (PSM), onde teria tomado conhecimento de que os policiais pretendiam levar o corpo ao Instituto Médico Legal (IML) de Botucatu sem comunicar a família a vítima.
Nesse momento, o rapaz saiu na tentativa de avisar os parentes. Ele teria sido detido e levado à delegacia, onde supostamente foi mantido por cerca de quatro horas, sofrendo ameaças sob a mira de uma arma de fogo para que não falasse nada.
O vereador de Areiópolis Gerson Olímpio Franco (PMDB), disse que o policial já havia sido acusado de agredir um menor de idade.
“Eu já tenho uma denúncia na câmara porque eu peguei ele agredindo um menor. Não é para bater. Se bater no menor, ele fica mais revoltadoâ€, diz o vereador. “Quero ver se alguém toma alguma providênciaâ€, acrescenta.
O delegado de Areiópolis Emerajal Torres nega que testemunhas tenham sido ameaçadas por policiais para omitir informações sobre o fato.
“O povo agora fala tudo o que gosta. Eles não têm o intelecto que a gente temâ€, observa.
O delegado acrescenta que teme que a casa do policial e a delegacia da cidade sejam incendiadas. “Nós estamos sofrendo ameaçasâ€, diz.