No dia 19 pp, quando fui ler o nosso Jornal da Cidade (hábito diário), chegando à seção Tribuna do Leitor, encontrei a carta sob o título “A moça pobre e a madameâ€, de autoria do referido sr. Achei engraçado, pois havia acabado de desligar a TV, porque o horário político entope-me de demagogia e hipocrisia e assim Deus em sua suprema justiça, mandou-me o castigo de imediato. Diante da singela cartinha, senti o irresistível desejo de responder ao preocupado senhor.
A intolerância e prepotência do único animal racional sobre a terra já proporcionou espetáculos dignos de envergonhar a humanidade. Alguns exemplos: na Roma antiga, dava-se para os leões comerem, os cristãos; nos anos 40, a intolerância do nazismo, julgou que os judeus deveriam ser exterminados; e aqui mesmo no Brasil, os brancos julgaram que os negros deveriam ser escravizados. Como podemos ver, o homem é o ser mais predador e irracional das criaturas criadas por Deus, que preconizou o respeito por todas as formas de vida.
O patrimônio de uma pessoa é dela, que gasta como bem lhe aprouver. Uns gostam de carros importados, outros de jóias caríssimas, outros compram drogas. Que mal há então se a madame tratar bem sua cadelinha Lili. Parece-me mais um simples preconceito contra os animais. Quando um funcionário é contratado, é pago para que desempenhe tarefas para o empregador. Não me parece, então, que seria tão cansativo e explorador passear duas horas com a Lili. Tomara todos os trabalhadores tivessem tarefa tão árdua.
O sr. Rafael cita também que algumas pessoas exageram no amor dado a um animal de estimação. Devo lembra-lo que o amor é uma fonte inesgotável, e o fato de dá-lo a um, não o retira de outro. Dá-me pena, sim, saber que com tantos trabalhadores batalhando de sol a sol, levando marmita (que corre o risco de azedar), ganhando o que não é suficiente para uma vida digna, tenhamos que pagar tantos impostos para manter marginais perigosos na cadeia, que comem marmitex, com regalias que a população de baixa renda, feita de pessoas decentes, não tem. Mas não seria a Lili que iria resolver isso, pois é de competência do Estado.
As pessoas agonizando de fome nas portas das casas é folclórico. A moça em questão é muito melindrosa, pois o fato de pedir referências é normal, pois não vamos acolher em nossos lares alguém que nem sequer se conhece. Ela estar tão estarrecida com a Lili mais parece não dar a liberdade de cada um fazer da sua vida o que bem lhe aprouver. Seria uma ingerência tão escandalosa quanto se determinassem a essa pretendente do emprego, quantos filhos ela deveria ter, para criar com a dignidade necessária uma criança.
O olhar pretensioso e arrogante da tal madame parece mais se encaixar na tal menina atônita, pois a pretendente ao necessário emprego julgou-se no direito de determinar quem e como a madame deveria amar. Falta de humildade é um defeito que considero grave. Hipocrisia também. A parcela da sociedade que vive encastelada e isolada do mundo real é a maioria da população, pois por onde se passa, vêem-se muros altos, grades, cercas eletrificadas, cães de guarda, porque ninguém mais tem segurança e um ser humano é assassinado por qualquer R$10,00. E quem assalta, seqüestra e mata é gente.
“Porque o que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais; o mesmo lhes sucede; como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais; porque tudo é vaidade†(Eclesiastes - capítulo 3-19). (Maria Dolores Barbosa Gómez - União Internacional Protetora dos Animais - UIPA - Seção Bauru)