08 de julho de 2026
Bairros

Comerciantes da Getúlio cobram ações

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 5 min

Preocupados com os atos de vandalismo que repetem-se a cada fim de semana na avenida Getúlio Vargas, os comerciantes do local decidiram fazer um abaixo-assinado que em breve será encaminhado à Câmara Municipal, à Prefeitura de Bauru e às polícias Civil e Militar.

As principais queixas referem-se a som alto, depredação de bens públicos e privados, desrespeito a pessoas que transitam pelas ruas, brigas e a grande quantidade de veículos que prejudicam o fluxo de trânsito.

Além disso, comerciantes afirmam que a avenida tornou-se um ponto de traficantes e usuários de drogas.

“As pessoas fumam maconha na calçada, menores tomam bebidas alcoólicas. No dia seguinte, as casas ficam com mau cheiro porque eles urinam e até defecam em frente. Freqüentemente encontramos camisinhas usadas no jardim”, reclama Carlos Arthur Serrano Vieira, proprietário de uma doceria localizada na quadra 10 da avenida.

O alto volume das músicas dos carros estacionados ao longo da Getúlio Vargas prejudica o trabalho dos estabelecimentos comerciais que funcionam no período da noite. O problema concentra-se nas quadras 10 a 12 da avenida.

Jefferson Previero, proprietário de uma pizzaria, diz que não consegue falar ao telefone e que seus clientes têm dificuldades para conversar devido ao som. â€œÉ uma falta de respeito”, enfatiza.

Vieira decidiu reduzir o horário de funcionamento da doceria para evitar atritos com as pessoas. “Prefiro não me indispor”, diz.

Os comerciantes contam que o problema tem afastado seus clientes. Em alguns casos, houve queda de faturamento. Na doceria, as vendas diminuíram de 20% a 30% nos últimos meses. Já na pizzaria, houve redução de 50% do movimento aos domingos, contam.

“A avenida já não pode mais ser freqüentada por famílias. Ficou esse estigma de que você pode encontrar algum problema aqui”, observa Vieira.

Além da depredação de grades, portas e jardins, os jovens que freqüentam a Getúlio Vargas aos finais de semana deixam garrafas de bebidas, latas e papéis espalhados pela avenida. Para Previero, a instalação de lixeiras poderia amenizar o problema.

Ele diz que já pensou em sair da Getúlio Vargas e mudar seu estabelecimento para outro local. “Agora não vamos mais mudar da Getúlio. Vamos mudar a Getúlio”, promete.

Sugestões

Uma das possibilidades que está sendo discutida no Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro/Sul para solucionar os problemas de vandalismo na avenida Getúlio Vargas é a proibição de estacionamento das 18h às 6h na via, conforme publicado pelo JC na edição de ontem.

O assunto voltará a ser discutido na reunião mensal do Conseg, no próximo dia 9.

A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) informou que nunca houve pedido de proibição de estacionamento para a avenida Getúlio Vargas.

Se o Conseg solicitar, a empresa fará um estudo técnico para verificar se é possível proibir o estacionamento em determinados horários. Será necessário fazer uma pesquisa com usuários e comerciantes, além de uma pesquisa técnica sobre o número de veículos que circulam pelo local nos horários mencionados.

Os proprietários de estabelecimentos dizem que já registraram boletins de ocorrência na delegacia, mas desistiram por afirmar que a medida não surte efeito. “Cansei de fazer B.O.”, diz Vieira.

O titular do 3.º Distrito Policial (DP), Marcelo Haddad, explica que por se tratar de crime de menor potencial, os boletins de ocorrência nestes casos são elaborados e encaminhados para o Fórum, que toma as providências adequadas.

“O importante é continuar registrando a ocorrência porque para configurar uma perturbação de sossego é necessário que haja vítima”, expõe Haddad.

Ele diz que as pessoas condenadas em caso de perturbação de sossego normalmente pegam penas alternativas, como prestação de serviço à comunidade.

Há duas semanas, um proprietário de estabelecimento da avenida registrou um boletim de ocorrência em que os envolvidos foram ouvidos e o caso foi encaminhado à Promotoria.

Outra providência recentemente adotada pela polícia é anotar os dados das pessoas que colocam som excessivamente alto na avenida. Elas são convocadas a comparecer ao DP e alertadas.

Os comerciantes sugerem que a Polícia Militar (PM) faça um trabalho mais freqüente na avenida nos horários considerados críticos. “Quando eles fazem batida, a rua fica vazia. Vira um paraíso. A polícia tem que estar aí direto”, diz Previero.

O capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1.ª Companhia da PM, diz que nos finais de semana duas viaturas e quatro motocicletas são deslocadas para a avenida. Os policiais advertem em caso de som alto e anotam os dados dos donos do veículo, mas não têm instrumentos para autuar essas pessoas.

“Não é por falta de envolvimento da polícia que há esses problemas. Nós queremos resolvê-los”, diz Meira.

Quanto à venda de bebidas alcoólicas a menores, ele afirma que há dificuldade na fiscalização, já que geralmente que compra são maiores de idade, que repassam aos outros. “Não temos como controlar cada menor que está com um copo de vinho ou cerveja na mão”, expõe o capitão.

Uma alternativa que pode gerar bons resultados, na opinião de Meira, é o vídeo-monitoramento. Como o projeto não foi aceito pela Prefeitura de Bauru, ele afirma que seria necessário parceria com comerciantes. A PM colaboraria instalando a central de monitoramento na base comunitária.

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Lixo

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), em parceria com a Emdurb, está administrando um processo para instalação de mais de mil lixeiras na cidade. De acordo com o titular da Semma, Luiz Pires, será aberta uma licitação em breve, mas ainda não há prazos estabelecidos.

As lixeiras de praças públicas ficarão por conta da Semma, e as de passeios serão gerenciadas pela Emdurb. Um dos pontos prioritários de instalação é a avenida Getúlio Vargas.

Para Luiz Pires, o problema da via requer mais que lixeiras. “Falta educação e compreensão por parte dos jovens. Não é o fato de colocar lixeira que vai mudar o comportamento deles”, diz.