09 de julho de 2026
Articulistas

Direitos Humanos: o outro lado da moeda


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Depois de um ano dos atentados terroristas de 11 de setembro, muitos programas especiais e de debates foram realizados. Tinham por objetivo lembrar as vítimas, o impacto na economia, os avanços da guerra contra o terrorismo, entre outros assuntos. O que mais me chamou a atenção, entretanto, foram os programas especiais relativos aos Direitos Humanos. Senão em todos, na esmagadora maioria, foram desenvolvidas reportagens que buscavam mostrar violações aos direitos individuais nos Estados Unidos após os ataques, além de enfatizar que as medidas antiterrorismo no norte da América não surtiram efeito, fazendo nascer desconfiança do povo americano em relação ao seu governo. Entretanto, toda a história tem dois lados e neste caso, infelizmente, nem todos foram devidamente analisados. Os principais acusadores do governo americano, no que tange a violações dos Direitos Humanos, não ficam na Europa. Ao contrário, são ONGs estabelecidas em solo norte-americano, com escritórios localizados na charmosa ilha de Manhattan em Nova York. Vivendo no território dos acusados, desfrutando das benesses e das liberdades da América e de seu “criticado” capitalismo de oportunidades, deleitam-se em realizar relatórios e denúncias contra os Estados Unidos. Nenhum problema até aqui, até porque os Estados Unidos é um país que tem por base a liberdade de expressão, pensamento, associação, religiosa, entre outras. Este elevado grau de tolerância e pluralidade, segundo algumas publicações brasileiras, é um dos motivos que levam os fundamentalistas a odiar os Estados Unidos. Porém, estes vorazes ativistas deveriam estar atentos ao que acontece em outros lugares do mundo também.

Se as organizações dedicadas a verificar as violações dos Direitos Humanos internacionais realmente realizam estudos sobre as incontáveis áreas denunciadas ao redor do globo, tais pesquisas não estão sendo devidamente divulgadas para que cheguem a imprensa. Acusa-se continuamente uma das maiores democracias do mundo de violações aos direitos fundamentais, enquanto outros países, assolados por ditaduras há décadas, sofrem dia após dia com o mesmo problema, sem a mesma preocupação de realizar pesquisas. Se estes estudos existissem e fossem divulgados, não há dúvida de que gerariam brutais manifestações de repúdio as práticas cruéis de violações dos direitos fundamentais.

Logo, dentro desse contexto, a internet se tornou o maior veículo de disseminação de fatos relativos às diversas violações de direitos fundamentais ao redor do mundo. Circulam pela rede denúncias sobre as frívolas sentenças de condenação à morte na China (que como é notório, cobra o preço da bala usada no fuzilamento da família do condenado), a mutilação de meninas que têm o clitóris arrancado para que nunca conheçam o prazer, julgamentos sumários e assassinatos realizados por traficantes de drogas no Brasil (como no notório caso Tim Lopes), a fuga de cidadãos de Cuba, além das mortes de milhares de famintos na África para que sejam poupados do “perigoso consumo de alimentos transgênicos” e da expansão da aids sem precedentes naquele país. As Nações Unidas, no caso dos direitos e liberdades consagradas em sua carta, deve atuar de maneira enfática para sua aplicação, lado a lado de ONGs sérias, movidas exclusivamente pelo sentimento de levar uma condição de vida digna para mulheres, homens e crianças que sofrem os horrores da falta de liberdade, segurança e democracia devido as ações de ditadores ou de governos omissos. Entretanto, atualmente, a visão parcial dos fatos não mostra a realidade, ao contrário, apenas escondem um triste sentimento contrário aos valores defendidos por pátrias que se desenvolveram sob o manto da liberdade. (O autor, Márcio C. Coimbra, é advogado)