Respondo ao missivista Ademir Affonso. Diploma universitário não é requisito para ninguém que pretenda exercer o cargo de presidente da República. Sua postulação é uma prerrogativa de cidadania, aliás, conforme muito bem tem exposto o ilustre jornalista Zarcillo. Chegou a hora de acabar com preconceitos que resvalam para a ignorância.
Com efeito, o Brasil existe há 502 anos, sempre foi governado por doutores - e até sociólogos -, com a mais fina educação, eméritos poliglotas, diplomados na Sorbone, Harvard e nos melhores e mais conceituados centros culturais. De que adiantaram todas essas galas para o País? Dependência econômica, refém que somos de um mercado especulador, do desemprego, em cuja esteira muitos engenheiros viraram sucos, advogados viraram ascensoristas de elevadores e uma enorme plêiade de universitários frustrados e revoltados, a exemplo do ilustre missivista.
O paradoxo de tudo isso, agora, está diante de nós: a mudança de que necessitamos passa pela lucidez de um ex-operário, torneiro e metalúrgico. É preciso que os “doutores†das pretensas elites reconheçam, humildemente, a agilidade de raciocínio que nenhum deles têm, um atributo do Lula que, com certeza, não o tem por acaso.
Afinal, os planos de Deus não são e nem precisam ser coerentes com a filosofia dos homens. Haja vista que mandou seu filho mais iluminado para ser imolado e salvar os homens, na pessoa de um humilde carpinteiro, enquanto o povo judeu adormecido na vaidade, no orgulho e no dinheiro, esperava um Messias triunfante, na sua toga de príncipe, a bordo de uma esplendorosa carruagem, à frente de exércitos celestes para libertar aquele povo do jugo romano. Não foi bem assim. Não é bem assim... com certeza. (Venício Augusto Francisco - dois diplomas universitários - RG: 5.021.754)