08 de julho de 2026
Turismo

Tesouros, navios e piratas

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Ao longo de sua história o Panamá sempre foi um centro comercial ativo. Os espanhóis chegaram em 1501 e Vasco Nuñes de Balboa fez ali sua base de operações na América Central e Caribe.

Durante séculos, o ouro, a prata e as pedras preciosas saqueadas dos incas, aztecas, maias e quechuas pelos invasores espanhóis foram depositadas no Panamá para serem embarcadas nos galeões até à Espanha.

O fabuloso resgate pago para a libertação do imperador inca Atahualpa, arrancado por Francisco Pizarro, circulou pelo Panamá.

Esses tesouros atraíram a cobiça de piratas e corsários. Um dos bucaneiros mais importantes que assolaram o comércio espanhol no Panamá foi o inglês Sir Francis Drake.

Os saques foram muitos mas sempre sobrava alguma coisa porque os tesouros eram imensos e não dava para carregar tudo de uma vez.

Quando morreu “de febres” Drake foi enterrado em Portobelo, no lado panamenho do Atlântico. Drake foi substituído por Henry Morgan, um predador ainda mais voraz.

Incêndio e ruínas

O corsário assaltou a velha Panamá em 1671 com mais de dois mil comandados e 32 caravelas. Precisou de 200 mulas para carregar o botim enquanto a cidade ardia em chamas.

Restam até hoje algumas ruínas, principalmente as da Catedral de Nuestra Señora de la Ascensión e do Convento de San José e Santo Domingo.

Os moradores e os espanhóis construíram uma nova cidade do outro lado da baía, guardada por um forte.

A importância do Canal

O descobrimento de ricas jazidas de ouro na Califórnia levou os pioneiros a estudarem alternativas de transportar mercadorias do Leste (Atlântico) para o Oeste (Pacífico) dos Estados Unidos sem cruzar territórios indígenas hostis.

O Panamá foi novamente escolhido para facilitar as coisas. Em 1850 iniciou-se a construção de uma estrada de ferro ligando o Atlântico ao Pacífico, pelo istmo.

O projeto, embora bem concebido pela sua lógica geográfica, resultou numa mortandade. A malária e a febre amarela dizimaram os trabalhadores chineses trazidos para construir a via férrea.

Quando ficou pronta em 1855 mais de 25 mil trabalhadores haviam perdido a vida para fazer a estrada de apenas 80 quilômetros.

Surgiu a idéia do canal e Ferdinand de Lesseps, que havia acabado de construir o Canal de Suez, foi chamado para a tarefa. O povo francês, entusiasmado com a idéia, aplicou suas economias em ações da nova companhia.

Milhares de trabalhadores contratados derrubaram árvores e escavaram montanhas para abrir o canal de 75 quilômetros de comprimento e 40 metros de largura.

O projeto parou derrotado pelo mosquito vetor da malária e febre amarela. Vinte por cento dos trabalhadores morreram em poucas semanas com essas enfermidades.

A empresa faliu e houve um escândalo financeiro na Europa. O custo em dinheiro e vidas humanas foi enorme. É por isso que no Brasil se usa ainda hoje o termo “Panamá” quando alguém quer se referir a uma grande maracutaia.

Os norte-americanos se interessaram por construir um canal, mas pelo território da Nicarágua. Mas alguém convenceu os senadores em Washington da possibilidade de terremotos e erupções vulcânicas, comuns naquela país, que comprometeriam a obra.

Os franceses estavam dispostos a passar o projeto aos Estados Unidos. O único obstáculo era o governo da Colômbia, país ao qual o Panamá pertencia à época.

Para derrubar esse obstáculo foi incentivada a independência do território, o que aconteceu em 3 de novembro de 1903. Os americanos foram mais sábios. Primeiro acabaram com os mosquitos vetores da malária e da febre amarela.

Compraram os direitos de propriedade da companhia francesa por US$ 40 milhões.

Firmaram um trato com o Panamá transformando toda a zona do canal com 10 milhas de largura em território dos Estados Unidos. Contrataram 75 mil operários e ao término de 10 anos e 400 milhões de dólares o canal estava pronto para ser inaugurado em 15 de agosto de 1914.