09 de julho de 2026
Polícia

Furto deixa Vale do Igapó sem telefone

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

As cerca de 120 casas do Vale do Igapó, bairro localizado às margens da rodovia Bauru-Jaú, amanheceram sem telefone ontem. O caladão foi causado por mais um furto de fios telefônicos da rede aérea, fato que tem sido freqüente, segundo Márcia Mesquita, moradora do bairro.

Ela vive há dois meses no bairro e reclama que há semanas que fica sem telefone duas vezes por conta dos furtos. Os ladrões vendem os fios, que são de cobre em ferros-velho. O quilo do produto custa até R$ 2,50.

A assessoria de imprensa da Telefonica não revela o número de furtos de fios ocorridos no bairro, mas confirma que os casos aumentaram nos últimos meses.

O furto de ontem ocorreu às margens da rodovia, a mais de um quilômetro do Vale do Igapó. “A Telefônica faz o reparo e, às vezes, eles furtam de novo na mesma semana. É difícil ficar sem comunicação em casa. Acho que já era o caso de a polícia montar uma campana para pegar os ladrões”, cobra Márcia.

Rubens Previdello, membro da administração do loteamento, frisa que o Vale do Igapó é atingido por furtos ocorridos numa região grande, desde o zoológico até o Parque Santa Therezinha. “Qualquer furto na região sudeste atinge o Vale do Igapó”, diz. Ele lembra que os telefones públicos também são afetados.

Em face da gravidade da situação, a Telefonica informa que está adotando medidas internas e solicitando auxílio das autoridades competentes para identificar responsáveis e evitar novos caladões. A operadora, por questões estratégicas, não divulga quais são as medidas usadas para coibir os furtos.

A Telefonica também pede a colaboração da população no sentido de denunciar os furtos de fios. Para isso, disponibiliza o serviço 0800-7726211. No ano passado, a empresa teve prejuízo de aproximadamente R$ 15 milhões com furtos de cabos, revela a assessoria de imprensa.

Neste ano, até agosto, o prejuízo já soma R$ 21 milhões. O furto de fios paralisa o serviço telefônico da região atendida pelos cabos retirados. A Telefonica informa que faz os reparos e restabelece o serviço em até 48h após ser informada do furto.

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Polícia

Para a Polícia Militar, a sugestão da moradora do Vale do Igapó Márcia Mesquita, de fazer campana para flagrar os ladrões de fios, é inviável. O tenente Flávio Jun Kitazume explica que a rede aérea de fios é longa e não há como saber onde os ladrões vão cortá-las para retirar os fios.

Ele lembra que já foram feitas prisões em flagrante por furto de fios na região e frisa que a localização do Vale do Igapó facilita a ação dos ladrões.

â€œÉ um bairro distante de outras propriedades. O ladrão tem mais facilidade em agir sem ser descoberto. E exatamente por ser um bairro distante a PM demora mais para chegar ao local quando recebe a denúncia de furto”, afirma.

A investigação dos furtos, por serem crimes de autoria desconhecida, é de competência da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). O delegado J.J. Cardia, titular da DIG, diz que foram feitas várias apreensões de fios de cobre furtados. “Só em um caso apreendemos mais de 3.000 quilos de fios de cobre’, afirma.

Cardia conta que está fazendo um levantamento desse tipo de furto em Bauru, que no ano passado concentrava-se mais no Tangarás. “Nós prendemos quem furta e quem compra, mas logo essas pessoas são soltas e voltam a furtar”, completa.