Para dirigentes sindicais de Bauru, a constatação mais importante dos números preliminares da Pesquisa Sindical 2001, lançada nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada ontem no JC, é a diferença entre o ritmo de crescimento do número de sindicatos e o de trabalhadores sindicalizados no período analisado - 1991 a 2001. Para alguns, isso significa que o trabalhador perde representação.
Segundo o IBGE, durante esses dez anos o número de sindicatos no Brasil aumentou em 43%, passando de 11.193 para 15.963. No mesmo período, no entanto, o total de associados a sindicatos de trabalhadores cresceu 27,3%: eram 15,4 milhões em 1991 e, no ano passado, somaram 19,6 milhões. Além disso, apenas 29% dos sindicatos têm mais de 1.000 associados.
“Na verdade, isso reflete também o crescimento no número de sindicatos que não têm representatividade nenhuma. São sindicatos que vivem apenas às custas do imposto sindical e não têm nenhum trabalho de base no sentido de organizar os trabalhadoresâ€, aponta o diretor do Sindicato dos Bancários Marcos Silvestre.
Segundo ele, esses sindicatos estariam dispersos pelas cidades de menor porte e geralmente ligados à categorias muito específicas, ao contrário de entidades representantes de classes tradicionalmente fortes, como eletricitários, ferroviários e os próprios bancários.
Em contrapartida, Silvestre observa que as categorias consideradas “fortes†perderam boa parte de seus associados devido às demissões decorrentes das privatizações. De acordo com ele, os bancários somavam 850 mil em todo o País no início dos anos 90. Hoje, reduziram-se a 400 mil. Em Bauru, havia 4,5 mil bancários em 1990, número que atualmente está por volta de 2,5 mil - cerca de 80% desses trabalhadores são sindicalizados. “Nós sofremos muito nos últimos anos com as demissões. As categorias foram bastante reduzidas e, conseqüentemente, o número de sindicalizados caiuâ€, diz Silvestre.
Na opinião do dirigente Roque Ferreira, do Sindicato de Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, a conseqüência mais imediata para os trabalhadores com a “pulverização†sindical é a perda de representação para a negociação de interesses das categorias.
“Existe uma deformação no movimento sindical. Nós temos muitos sindicatos de carimboâ€, declara Ferreira. E completa: “Esses sindicatos passam a viver de duas coisas: do imposto sindical, aquele valor cobrado uma vez por ano de cada trabalhador, e através da contribuição confederativa.â€
Para o sindicalista, uma solução para fortalecer os sindicatos é a unificação de entidades por ramo de atividade. Trabalhadores ferroviários, metroviários e rodoviários, por exemplo, poderiam se concentrar em um “sindicato de trabalhadores no transporte terrestreâ€. “Isso daria mais força, mais representatividade, um grande poder de negociação e com a participação dos trabalhadoresâ€, afirma Ferreira.
De acordo com ele, o sindicato dos ferroviários tem uma média histórica de 70% de trabalhadores associados, e hoje conta com 4 mil trabalhadores sindicalizados.