09 de julho de 2026
Articulistas

O dia do voto...


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Acontecerá amanhã, estão todos lembrados? E o que isso representa? Significa que é o dia de votar. Significa, então, que é o dia em que eleitor nenhum poderá ficar inerte sob o seu velho telhado, olhando para o nada da vida. Tem de botar as pernas em movimento, ir à sua seção eleitoral e digitar em sua sofisticada urna o seu consciente sufrágio, pensando não só em si e em sua família, mas em todos de seu País, como proclamou, em um dia como este, o glorioso jornalista carioca, Carlos Lacerda, externando mensagem, que continua atualíssima, e, por isso, data vênia, reproduzimos em seguida:

“... O voto é o momento mais nobre, é o momento mais alto, é o momento em que cada um vale igual a qualquer outro. É o único momento em que os filhos de Deus realmente são iguais perante os outros. O dia do voto é o dia em que o canhão vale a mesma coisa que o caderno escolar. O dia do voto é o dia em que o homem sem pão vale a mesma coisa que o homem com indigestão. O dia do voto é o dia em que a mãe vai votar e ela não pode votar com ódio porque do seu voto depende o amor que ela vai demonstrar a seu filho, votando em alguém que melhore a vida no seu desempenho. E ninguém melhora ninguém quando vota na base do ódio e da abominação. Pense cada um com firmeza, com a simples coragem moral da gente mais simples do povo. Da gente que já decidiu e dos indecisos, aqueles que ainda podem resolver. Tome cada um a sua decisão. Feche os ouvidos às intrigas. Quando a mentira estiver solta, prenda-a pela única forma com que um homem desarmado pode prender os mentirosos. Desligue o rádio. Não leia aqueles que por desinteresse não dizem a verdade. Mas não é preciso quase a esta altura nem ler nem ouvir. Um povo não se destrói a si próprio. Este povo já viu que não precisa de tutores mas sim de simples servidores. Este povo já compreendeu que está nas suas mãos a decisão de ser escravo ou de ser livre. Este povo já sabe que não precisa de curadores, mas sim de administradores. De ter um futuro ou perder até o próprio passado. Tudo que passou, passou. O voto pode ser uma carta de alforria ou um título de servidão. Quem quiser ser escravo, vote como entender. Quem quiser ser livre, vote como um homem livre”.

Estava o periodista, mais tarde governador do então Estado da Guanabara, com toda razão? Hoje, estaria também, pois as condições são as mesmas. E o País reclama, portanto, as mesmas reflexões. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)