08 de julho de 2026
Bairros

Parques são poucos e malcuidados

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

O Dia das Crianças está chegando e os pais que quiserem passar um final de semana diferente com os filhos, aproveitando os parques de diversões públicos da cidade, deverão enfrentar alguns problemas. Primeiro porque a cidade, que tem cerca de 315 mil habitantes, possui apenas três unidades desses equipamentos de lazer; segundo, porque o estado de conservação de alguns deles está em péssimas condições.

O parquinho instalado no Parque Vitória Régia é o que apresenta mais sinais de depredação. Com apenas 12 brinquedos, ele está com um aspecto de abandono e oferece perigo para os usuários. A maioria dos equipamentos está quebrada, com falta de peças ou sem estrutura para receber as crianças.

O estudante Rafael Buzo Crepaldi, 12 anos, reclama que o espaço está muito ruim. “Os brinquedos estão todos quebrados e são poucos. Não dá para se divertir muito”, diz.

Ele estava aproveitando um dos poucos que apresenta condições propícias para a diversão, o gira-gira. “As coisas parecem que estão caindo aos pedaços e ninguém dá atenção. Os políticos têm que fazer alguma coisa pelo parque”, cobra o garoto.

Ele diz que já viu crianças sofrerem pequenos acidentes nos brinquedos. “Outro dia, uma menina estava no balanço e a corrente arrebentou. Ela voou para o chão e bateu a cabeça”, conta.

Os escorregadores não têm parte das ripas de madeira que o constituem. O usuário que se arriscar a brincar, pode ficar enganchado nas tábuas ou cair no chão. Já os balanços não têm os seus acentos completos. Os dois brinquedos desse porte do parque estão incompletos, apenas com correntes penduradas.

Rafael salienta que às vezes tem medo de se machucar. “Tem que tomar cuidado, senão pode cair”, destaca.

Sem verba

Em Bauru, existem apenas três parques públicos infantis: o do Vitória Régia, o do Bosque da Comunidade (no Jardim Dona Sarah) e o do Bosque Comunitário do Núcleo Geisel. Este último passou por uma reforma no início deste ano, feita por voluntários da comunidade, e está com os seus brinquedos em perfeitas condições de uso.

De acordo com o diretor do Departamento de Zôobotânica da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Kazumi Kobayashi, que está respondendo interinamente pela pasta, a prefeitura municipal não tem verbas suficientes para fazer a manutenção dos parques. “Nós temos que pedir o material para arrumar os parques, mas a verba nem sempre está à mão”, destaca.

De acordo com ele, já foi requisitado material para reformar o parque infantil do Vitória Régia, mas até agora a Semma não recebeu a resposta. Questionado sobre a possibilidade de se consertar os brinquedos até o Dia da Criança, ele responde que isso é praticamente impossível. “Não sei quando faremos a reforma, mas acho que até o final do ano deve ficar pronto”, salienta.

Kobayashi diz que desconhece o estado de conservação do parque. Quando informado que os brinquedos estavam sem a menor condição de uso, o diretor destacou que iria fazer uma visita ao local no dia seguinte para providenciar os consertos mais urgentes. “O que for urgente e der para a gente fazer, eu vou providenciar”, garante.

Ele concorda que a estrutura de lazer para as crianças é deficiente na cidade, mas ressalta que a população poderia ter muito mais. “Acho que falta um pouco de conscientização por parte dos usuários. Eles precisam ajudar a conservar os locais públicos”, frisa.

Kobayashi lembra que Bauru já teve outros parques infantis, mas que eles acabaram perecendo diante da falta de manutenção. “Se não houver colaboração da população, não há como manter os locais em bom estado”, salienta.

Ele diz que ações de vândalos acabaram estragando as estruturas. O diretor não soube listar quais seriam esses parques, mas apontou que eles estavam localizados em diversos bairros da cidade.

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Faltam brinquedos

Mesmo quando os equipamentos estão em condições de uso, existe deficiência. As mães que levam os seus filhos para brincarem nos espaços públicos reclamam que o número de aparelhos é pequeno. “Deveria ter mais opções para as crianças. Quando vem muita gente, fica tumultuado”, diz a funcionária pública Maria Aparecida Barbosa, que estava com o seu neto no parquinho do Geisel.

Já a auxiliar administrativa Rosemeire Felipine Salina, que também estava com a sua filha no parque, acredita que seria necessário uma manutenção mais eficaz. “Antes os brinquedos estavam sempre quebrados. Agora é que melhorou um pouco”, destaca.

A empregada doméstica Benedita Ferreira Gonçalves conta que, antes da reforma, o parque do Núcleo Geisel estava muito ruim.

“Não tinha nem condições de vir aqui com as crianças. Era um perigo”, afirma. Ela diz que, quando os brinquedos estavam quebrados, ela tinha medo que seus filhos se machucassem. “Eu até parei de trazê-los aqui para não correr risco”, frisa.