De acordo com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, esse desperdício representa 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e daria para alimentar 8 milhões de famílias carentes por ano com cestas básicas mensais no valor de um salário mínimo (informações da RS Press).
Na avaliação da secretaria, o Brasil é um dos principais produtores de alimentos do planeta. No entanto, é também campeão do desperdício, produzindo um dos lixos mais ricos do mundo. Estes dados levaram várias entidades e organizações não-governamentais (ONG) a desenvolver projetos de recolhimento e distribuição destes alimentos desperdiçados.
O Serviço Social da Indústria (Sesi) criou um programa que ensina a população a aproveitar seus alimentos integralmente. O objetivo é criar receitas usando talos, folhas, cascas e sementes que iriam para o lixo na maioria das casas e restaurantes. O resultado são cardápios variados, nutritivos, saborosos e bonitos que custam apenas R$ 1,00 por pessoa.
De acordo com a nutricionista Márcia Leme Ferraz, responsável pelo restaurante educativo do Sesi em Bauru, a idéia surgiu a partir da constatação de que os trabalhadores se alimentavam muito mal. Foi feita uma pesquisa com 1,6 mil funcionários de empresas de pequeno e médio portes na cidade de São Paulo.
“Constatou-se que 62% desses trabalhadores mantinham uma dieta muito pobre em fibras, com baixo consumo de verduras, frutas e legumes. O Sesi, então, criou o programa ‘Alimente-se bem com R$ 1,00’ para ensinar a população a se alimentar melhor, gastando menos e evitando o desperdícioâ€, informa.
Na primeira etapa do projeto, nutricionistas do Sesi pesquisaram preços de alimentos em feiras livres e supermercados. Depois, criaram e testaram diversas receitas, que foram oferecidas para degustação de aproximadamente 12 mil pessoas.
O segundo passo foi a criação de restaurantes educativos, nos quais são vendidas as preparações do programa para a população em geral. Em Bauru, o restaurante foi inaugurado em agosto do ano passado. Em novembro de 2001, o Sesi local implantou os cursos de culinária econômica do programa, que são oferecidos gratuitamente para qualquer pessoa.