11 de julho de 2026
Política

Eleitora de 90 anos digita o 1º voto de Bauru

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Com o cabelo bem escovado e uma leve maquiagem na face, a professora aposentada Amélia Cassavia Rangel de França, 90 anos, chegou bem-humorada e disposta no Instituto Ernesto Monte, na manhã de ontem. O relógio apontava 7h55. Ela estava pronta para votar.

Amparada pelo amigo, o vereador Paulo Eduardo Martins Neto (PFL), Amélia se dirige à seção número um e, pontualmente às 8h, digita o primeiro voto de Bauru em menos de um minuto. “Estou feliz. Mais uma vez cumpri com minha obrigação cívica de cidadã”, diz, com voz de satisfeita.

O encontro dela com a urna eletrônica ocorreu com naturalidade, sem transtornos. “Me preparei antecipadamente. Fiz minha cola para não ter problemas na hora de votar”, explica a professora, que punia severamente seus alunos que ousavam buscar essa alternativa para somar boas notas nas provas. “Mas essa cola para votar é inevitável”, justifica.

A aposentada comemora a participação em mais uma eleição. “Nunca faltei. É nossa obrigação escolher os representantes. E escolher bem para evitar decepções”, ensina, com tom de voz professoral. Ela não revela seus candidatos.

Amélia acumula histórias no percorrer de suas nove décadas de vida. Acompanhou de perto os principais fatos políticos contemporâneos do País. A aposentada relata a chegada de Getúlio Vargas ao poder, em 1930. “Votei nele para exercer seu segundo mandato”, conta.

A professora diz que gosta de acompanhar as travessuras do mundo político, mas confessa que não teve paciência para ver a propaganda política gratuita na televisão. “Era muito chato”, afirma, sem constrangimentos.

Ela não reprova a decisão dos eleitores que completam 70 anos de idade e decidem se afastar das urnas, amparados na legislação eleitoral, que lhes oferece voto facultativo.

“Não acho errado. Mas se essas pessoas estão com saúde, têm lucidez e discernimento não vejo porque evitar o voto. A democracia está aí para dar a oportunidade de escolha, de melhorar o País através da expressão do voto”, diz.

Amélia garante que enquanto tiver saúde e disposição vai continuar comparecendo na seção número um do Instituto Ernesto Monte para digitar os números de seus candidatos preferidos.

â€œÉ assim que construimos a história do nosso País e o futuro dos filhos e netos. Em 2004, quero estar aqui de novo. Se depender de mim, as urnas vão ter que me aguentar por muito tempo”, brinca.

Criada numa época de pouco espaço para o feminismo, a aposentada se revela realizada ao notar que as mulheres estão conquistando o mundo político. “Na minha época, falar em política era um tabu. Mas a evolução veio para ficar. Também temos o direito de opinar, participar e disputar eleições”, opina.