09 de julho de 2026
Regional

Sem rampa, deficiente não vota e faz BO

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Botucatu - A falta de rampa de acesso própria para deficientes físicos impediu que o aposentado Valdir Antônio Cassinelli votasse ontem no distrito de Rubião Júnior, município de Botucatu. Indignado e numa cadeira de rodas ele procurou o 3º Distrito Policial onde foi registrado um Boletim de Ocorrência (BO) por preservação de danos.

Tudo começou, conta Cassinelli, quando ele se dirigiu para o seu local de votação ontem de manhã, a EEPG Professor João Queiroz. “A escola passou para um prédio novo, inaugurado há pouco tempo, onde não existe rampa de acesso ao segundo piso onde estavam as urnas”, disse.

O eleitor que ainda tentou dialogar com os fiscais mas não houve um acordo. “Eu não podia subir para votar e a urna, segundo eles, não poderia descer até mim”, contou, acrescentado que foi orientado, então, a justificar o voto.

A justificativa seria outro empecilho para Cassinelli. “Como voto em Rubião, não poderia justificar na própria cidade. Ir até Botucatu é outra dificuldade”.

Depois de insistir na tentativa de votar e não obter êxito, Cassinelli resolveu registrar seu protesto na delegacia. O delegado Carlos Julião Filho confirmou o registro.

O aposentado disse que está revoltado com a situação e pretende procurar uma assistência jurídica para talvez até entrar com uma ação contra o Estado. “Tenho meus direitos como cidadão e estava preparado para o voto. Acompanhei toda a campanha e havia definido todos os meus candidatos”, disse.

Cassinelli, que está paraplégico há nove anos, disse que iniciará hoje uma nova batalha: a briga por garantir o voto no segundo turno. “Sempre estive em dia com meus deveres de cidadão e só estou exercitando meu direito ao voto”.

Nenhum representante da justiça eleitoral de Botucatu foi localizado pela reportagem ontem para explicar os motivos pelos quais as urnas, na escola Professor João Queiroz, em Rubião Jr. foram colocadas em local que impossibilitou o acesso de deficientes.

No cartório eleitoral de Botucatu, no entanto, uma funcionária garantiu que se o usuário de cadeira de rodas quisesse justificar o voto, teria acesso garantido até o local das justificativas.