Outro problema verificado nas cidades da região foi a prática de boca-de-urna. Cabos eleitorais eram facilmente localizados nas proximidades dos colégios eleitorais.
Com camisetas, bonés, bandeiras e até mesmo “santinhosâ€, um verdadeiro exército de simpatizantes - a maior parte dele pago pelo candidato - foi às ruas para tentar conquistar o voto dos indecisos.
Eles procuravam se dispersar com a aproximação da polícia, mas se uniam novamente quando não estavam sendo vigiados. A boca-de-urna é uma prática proibida pela legislação eleitoral.
Em Jaú, Pederneiras, Agudos, Lençóis Paulista, São Manuel, Areiópolis, Botucatu e Itapuí ninguém foi preso por fazer propaganda ilegal. Apenas alguns materiais foram apreendidos. Em Macatuba, a polícia registrou um ato infracional.
Joel Antônio Garcia, 25 anos, morador em Pederneiras, sabia que a boca-de-urna é proibida. Mesmo assim, vestiu a camiseta de seu candidato e foi para a rua pedir voto. Mas o que o deixou mais animado não foi a possibilidade de vitória de seu candidato, mas o dinheiro extra que iria conseguir.
â€œÉ difícil convencer as pessoas. A maioria já chega com o candidato definido. Eles pegam o ‘santinho’, amassam e jogam fora. Mas o mais importante é ganhar um dinheirinhoâ€, disse ele, com a concordância de outros cabos eleitorais que estavam à sua volta.
Em Jaú, um grupo de militantes discordou da opinião de Garcia. Para eles, o trabalho de boca-de-urna pode ser decisivo. “Acredito que o trabalho pode decidir muitos votos, principalmente o dos indecisosâ€, afirmou um cabo eleitoral, que pediu para não ser identificado.
Para as eleições deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tomou cuidado também para evitar a boca-de-urna via telefone celular. Para tanto, orientou os fiscais para que impedissem a entrada de eleitores com o aparelho ligado.
Na opinião da psicóloga Raquel Cassoli, 25 anos, que compareceu ao colégio eleitoral da Fundação Raul Bauab, em Jaú, com o celular em mãos, a medida do TSE foi um pouco exagerada.
“Não acredito que uma conversa por celular, na fila de votação, possa mudar a decisão do eleitorâ€, opinou. Segundo ela, a maioria leva a “cola†pronta e um telefonema não seria suficiente para alterar os resultados da eleição.