O nível do rio Batalha, que abastece 43% de Bauru (cerca de 137 mil pessoas) estava 21 centímetros abaixo do normal ontem pela manhã. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) alerta que, se a população não economizar e não chover em breve, há risco de faltar água na cidade. Este é o quarto ano consecutivo que o rio dá sinais de exaustão.
Com a redução do nível do Batalha, o DAE foi obrigado a desligar uma das três bombas em operação que fazem a captação de água. “Com o desligamento de uma bomba, a quantidade de água captada caiu de 560 para 420 mil litros por segundoâ€, conta Sandra Faria, assessora de imprensa da autarquia.
A mesma medida foi adotada nos anos anteriores até chover e o nível do rio subir novamente. Apesar de pedir economia à população, o DAE ainda não estuda a adoção de rodízio ou racionamento no abastecimento. Porém essas medidas não estão descartadas
“Estamos monitorando o rio. Se o consumo não cair e não chover em breve, aí sim o DAE terá que definir qual medida tomar. Mas esperamos que a população colabore e não seja preciso adotar nenhuma medidaâ€, explica.
A doméstica Eloani Mara Aparecido afirma que sabe o que é ficar sem água e por isso economiza o produto em sua casa e no trabalho. “Eu morava no Parque Santa Edwirges e sempre faltava água. Depois de morar em outro bairro voltei para lá e sábado, por exemplo, não tinha água. Eu economizo, mas vejo vizinhas minhas lavarem a calçada todos os dias com o jato d’águaâ€, diz.
Para ela, só a educação resolve. “Depois de grande é difícil mudar o hábito das pessoas. Eu sei que, se não economizarmos, no futuro poderá falta águaâ€, frisa Eloani. Mas nem todos concordam que a solução é economizar.
Com o compromisso de que seu nome seria mantido em sigilo, uma moradora do Jardim Redentor disse à reportagem que há pessoas que esbanjam, mas que economizar água é quase impossível. â€œÉ claro que lavar o quintal com a mangueira é exagero, mas eu não consigo tomar banho de dois ou três minutosâ€, diz.
Na opinião da moradora, não há como deixar de lavar quintal pelo menos uma vez por semana. “Ninguém agüenta o quintal sujo ainda mais com esse calorâ€. Para ela, só desperdiça quem tem dinheiro sobrando para pagar a conta. “A gente que é pobre já economiza porque pensa na conta do final do mês. Não dá para cortar maisâ€, completa.
A assessora de imprensa do DAE ressalta que a redução da quantidade de água no rio Batalha nos últimos dias é resultado de dois fatores, ambos ligados às altas temperaturas. Anteontem, o termômetro do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) chegou a marcar 35 graus em Bauru e ontem, 34 graus.
“Por causa do calor forte, a evaporação do rio aumenta. Além disso, neste final de semana o consumo de água foi maior que o verificado nos demais porque estava calor e a maioria das pessoas ficou em casa e ainda recebeu visitas por causa das eleiçõesâ€, ressalta a assessora de imprensa.
O Batalha abastece as regiões das vilas Falcão, Independência e Cardia, Centro, Altos da Cidade, Vila Santa Clara e regiões dos jardins Marambá e Estoril. Esses bairros precisam economizar água pois correm o risco de ficar desabastecidos se o nível do rio não subir.
Mas Sandra frisa que o restante da cidade, apesar de receber água de poços, também deve evitar ao máximo o desperdício. “A água, está mais do que comprovado, é um recurso finito. Muitos países já sofrem com falta de água. Por isso todos devem economizarâ€, recomenda.
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Vilões do desperdício
• Lavar calçadas com jato d’água
• Banhos demorados
• Torneiras esquecidas abertas
• Descarga do vaso sanitário
• Vazamentos na produção e distribuição (Fonte: DAE)
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Números da água
• Rio Batalha abastece 43% da cidade (137 mil pessoas)
• Poços profundos abastecem 53% da cidade (178 mil pessoas)
• O DAE perde na produção e distribuição entre 25% e 30% da água captada
• Não há estimativa do desperdício da população (Fonte: DAE)
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Aumento da tarifa
O DAE, conforme o JC publicou na semana passada, não tem dinheiro para ampliar, modernizar e reformar a estrutura abastecimento e saneamento básico na cidade. Isso inclui explorar novas fontes de abastecimento de água. A única saída seria aumentar a tarifa (em cerca de 30%), já que não recebe repasses da prefeitura.
Com o reajuste, a autarquia elevaria a receita de 2003 dos atuais R$ 26 milhões para R$ 33 milhões. Sem aumento, ficará difícil reformar a Estação de Tratamento de Água (ETA) e explorar outro rio para abastecer Bauru.
Há pelo menos dois anos a autarquia está analisando o córrego Água Parada como outra fonte de abastecimento. A água seria captada na altura da ponte do rio Verde, a 15 quilômetros de Bauru. Para isso, entretanto, é preciso construir uma estação de captação no local.
Não há estimativas de custos, mas o DAE sabe que a obra demanda altos investimentos. Por enquanto, a autarquia não decidiu se o córrego será a outra fonte de abastecimento para a cidade. De acordo com Sandra Faria, assessora de imprensa do DAE, os estudos ainda não terminaram e também não há verbas. “A prioridade é a reforma da ETAâ€, explica.
O vereador e ambientalista Rodrigo Agostinho entende que é preciso reajustar a tarifa de água, apesar da medida soar como politicamente incorreta. “Não há como evitar o reajuste e não adianta ficar com demagogia. Mas além do aumento, o DAE precisa buscar investimentos. A prefeitura tem que investir. Não é porque o DAE é uma autarquia que a prefeitura não investeâ€, finaliza.