Hoje, 72% das matrículas no ensino superior no Brasil, estão concentradas na rede particular. Em São Paulo o percentual é ainda maior: 89% dos estudantes universitários estão em Faculdades particulares.
É estranhável os protestos em agosto, por duas vezes, nos dias 14 e 19, dos alunos da universidade Estadual Paulista (Unesp), contrários à aprovação de projetos de expansão da Unesp para criação de oito novos câmpus em cidades do interior: Sorocaba (engenharia de controle e automação), Iperó (engenharia ambiental), Registro (agronomia), Ourinhos (geografia, com ênfase em climatologia), Dracena (zootecnia), Tupã (administração em ênfase em agronegócios), Rosana (turismo, com ênfase em ecoturismo) e Itapeva (engenharia industrial madeireira).
O primeiro protesto bastante violento aconteceu no prédio da reitoria em São Paulo, professores e alunos feridos, causando a suspensão da reunião do Conselho Universitário. O segundo ocorreu em frente ao prédio da Faculdade de Odontologia de Araçatuba, onde o Conselho Universitário novamente se reuniu com a presença de 63 dos 67 membros do Conselho. Mesmo com protestos dos alunos, com proteção policial, o Conselho aprovou o Programa de Expansão de Vagas da Unesp, por 34 votos a favor, 24 contra e sete abstenções.
A Universidade Paulista “Júlio de Mesquita Filho†(Unesp), foi criada pela lei n.º 952, de 30 de janeiro de 1976. Surgiu da desvinculação da Secretaria da Educação do Estado, os 13 Institutos Isolados de Ensino Superior, subordinados a Coordenadoria do Ensino Superior da Secretaria, que foi extinto.
A Unesp/Bauru, completou em 2002, 14 anos de funcionamento. Surgiu de muita luta, para fazer justiça, da liderança firme, combativa do então deputado federal Tidei de Lima. A Universidade de Bauru mantida pela Fundação Educacional de Bauru (FEB) de direito público municipal, instituição de ensino pago, com 5 mil alunos, 200 professores e 250 funcionários, foi estadualizada e encampada pela Unesp.
Outro fato interessante. Em 1976, enquanto Bauru lutava para estadualizar a Universidade de Bauru, mantida pela FEB, o jornal O Estado de São Paulo, publicava extensa matéria sobre a discussão para a criação da Universidade de Ribeirão Preto. As quatro Faculdades Estaduais de Ribeirão Preto, integrantes da Universidade de São Paulo (USP), se disvinculariam da USP para transformar-se em Universidade autônoma, independente, a 4.ª Universidade do Estado de São Paulo.
Professores e alunos alegando queda do nível do ensino, resistiram a transformação das quatro Faculdades filiadas a USP, em Universidade autônoma. Sempre acreditei que o fato da resistência estava em não deixar o status de Faculdade da USP.
Em 1987, um plebiscito realizado entre alunos, professores e funcionários da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), decidiu pela proposta de encampação da PUC/SP pelo Governo do Estado. A Unesp estava interessada em encampar a PUC/SP, mas na época, d. Paulo Evaristo Arns, grão-chanceler da PUC/SP e presidente da fundação São Paulo, mantenedora da PUC/SP, não aceitou a estadualização da Universidade, mesmo a PUC/SP encontrando-se em elevadíssimo déficit financeiro, constantemente socorrida com milhões de ‘cruzados’ pelo Governo da União. A recusa da Fundação São Paulo em não aceitar a estadualização da PUC/SP, beneficiou Bauru. Não acredito que a PUC/SP estadualizada e encampada pela Unesp, a Universidade de Bauru mantida pela FEB, fosse também estadualizada e encampada pela Unesp.
São fatos que comportam ser recordados, e o caso presente do projeto de expansão da Unesp, com a criação de novos oito câmpus, refletidos. Sou da opinião de tratar-se de medida positiva. A aprovação do Programa de Ampliação de Vagas, proposto pelo reitor da Unesp, aprovado pelo Conselho Universitário em Araçatuba, naturalmente, a implantação desses novos câmpus encontrarão dificuldades iniciais, mas impedir a expansão justificando falta de estrutura na sua concretização, é muito mais negativo. (O autor, Rodolpho Pereira Lima é professor aposentado e ex-presidente da Apeoesp)