A redução do nível do rio Batalha em 21 centímetros, constatada anteontem, já refletiu no abastecimento de Bauru. Ontem, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) recebeu 250 reclamações de falta de água de moradores de vários pontos da cidade, mas a maioria dos casos refere-se ao Jardim Ferraz e Vila Independência.
Apesar de alertar que a situação está crítica, até o final da tarde de ontem a autarquia não havia anunciado a adoção de rodízio ou racionamento. “Vamos verificar como os reservatórios amanhecerão amanhã (hoje). Se a água produzida à noite for suficiente para enchê-los não teremos grandes problemasâ€, explica Sandra Faria, assessora de imprensa do DAE.
Porém, se os reservatórios não estiveram cheios, a autarquia terá que adotar racionamento ou rodízio. O rio Batalha abastece 43% da cidade (cerca de 137 mil pessoas). Os 57% restantes (178 mil habitantes) recebem água de poços profundos. O forte calor dos últimos dias tem contribuído com a queda de nível do Batalha.
Zilda Guedes Santana, que mora no Jardim Ferraz, sentiu de imediato a falta de água porque não tem reservação em casa. “A água acabou por volta das 9h e só está voltando agora (às 16h). Ontem (anteontem) também faltou e uma das minhas filhas teve que tomar banho na casa de uma amiga. A outra esperou a água voltar, à noiteâ€, relata.
À tarde, Zilda só tinha água no filtro e na geladeira. “Não lavei a louça do almoço nem roupa. Ainda bem que tenho água para beber. Se continuar assim vou estocar em baldesâ€, completa. Ela afirma que não tem caixa d’água porque a casa não tem estrutura para acomodar o peso. â€œÉ preciso construir pilares e comprar a caixa e nesse momento não temos dinheiroâ€, diz.
Já a casa de Isabel Cristina Venceslau, que mora na quadra 23 da avenida Castelo Branco, não chegou a ficar desabastecida. “Eu sei que faltou água porque a torneira da máquina de lavar é ligada diretamente da rua. Mas como tenho duas caixas d’água de 500 litros cada uma, não está faltandoâ€, conta.
Preocupada com a possibilidade de ficar sem água, ela garante que está economizando. “Já estou pegando no pé das crianças para tomarem banhos mais rápido e não deixei que enchessem a piscina que tenho no quintalâ€, relata.
Sílvia Mendes Barbosa, outra moradora da Vila Popular Ipiranga, tem reservação de 500 litros, mas está preocupada. “Ainda não faltou água em casa, mas sei que a caixa está baixa. Nem lavei a louça do almoço para economizar. Sem luz a gente fica, mas sem água não dáâ€, frisa.
A comerciante Alda Fajardo também está preocupada. Dona de um viveiro de mudas na Vila Independência, ela conta que as plantas podem morrer se a falta d’água for constante. “A minha sorte é que reguei as plantas pela manhã, enquanto tinha água. Mas algumas espécies precisam ser molhadas duas vezes por diaâ€, ressalta.
Enquanto parte da população economiza, alguns moradores esbanjam água. O JC flagrou uma mulher lavando a calçada com o jato d’água, que gasta o produto em excesso, ontem à tarde. A reportagem também recebeu denúncia de que nos Altos da Cidade as telhas de uma casa estavam sendo lavadas com jato, prática que gasta muita água.