Apesar dos reservatórios do Departamento de Água e Esgoto (DAE) terem amanhecido com níveis razoáveis ontem, vários bairros de Bauru, principalmente os das regiões mais altas, enfrentaram mais um dia sem água. A autarquia recebeu 300 reclamações.
“A maioria dos reclamantes mora em regiões altas. Os bairros mais problemáticos são os Altos da Cidade, Centro, Vila Universitária, Jardim América e Mary Dotaâ€, conta Sandra Faria, assessora de imprensa do DAE.
No Jardim Aeroporto também está faltando água. Maria Cecília, que preferiu não revelar seu sobrenome, conta que está recebendo água apenas à noite há três dias. “Não tenho água para lavar roupa porque a torneira da máquina de lavar é direto da ruaâ€, reclama.
Acostumada a utilizar a água da rua para cozinhar, ela diz que está fazendo as refeições fora de casa. “Tenho receio de usar a água da caixa, apesar de limpá-la sempre, para cozinhar. Estou tendo uma despesa a mais com isso. Acho um absurdo faltar água. Pago impostos e acho que a prefeitura teria que investir mais nesse setor, perfurar mais poçosâ€, reclama.
O DAE continua abastecendo creches, escolas, clínicas e residências com caminhão-pipa. Ontem, os caminhões levaram água a moradores do Mary Dota e Jardim Ivone e a várias escolas e creches, segundo a assessora de imprensa da autarquia.
Também foram abastecidos estabelecimentos comerciais e clínicas do Centro, Altos da Cidade e Jardim Aeroporto. “Estamos com os três caminhões-pipa na rua. Um tem capacidade para dez mil litros de água e os outros dois para seis mil litros cada umâ€, conta Sandra.
Apesar da situação considerada crítica, o DAE ainda não adotou rodízio ou racionamento. “Essas são medidas extremas, que só serão adotadas em último casoâ€, explica. Sandra ressalta que o nível do rio Batalha subiu um pouco com o desligamento de uma das três bombas em operação - havia reduzido 21 centímetros na segunda-feira.
“A terceira bomba está sendo ligada só à noite ou madrugada. Com isso, o rio recuperou um poucoâ€, revela ela. Apesar da recuperação, a terceira bomba não voltou a operar 24 horas. “Não podemos ligá-la o dia todo porque seria uma exploração predatória do rioâ€, argumenta a assessora.
Na análise dos técnicos do DAE, a população tem economizado água, o que teria contribuído para a recuperação dos níveis dos reservatórios. A autarquia pede a colaboração dos moradores de prédios mais antigos, cujas válvulas das descargas dos sanitários fecham-se com a pressão da água.
“Se não tem água, a válvula não fecha. E quanto a água chega, acaba escorrendo sanitário abaixoâ€, explica Sandra. A orientação do DAE é para que o registro da descarga seja fechado. O problema não ocorre quando a caixa d’água é acoplada ao sanitário.