11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Mensalidades escolares terão reajuste de 10% para 2003

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Com a proximidade do fim do ano letivo, as escolas particulares já começam a fechar as planilhas de custos e a apresentar aos pais os valores de 2003. De acordo com o delegado regional do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), Gérson Trevizani, o reajuste das mensalidades em Bauru deve ficar na média de 10%.

“Os aumentos de escolas de um modo geral estão variando de 8% a 12%. A maioria das escolas está aumentando 10%, que é mais ou menos a inflação que vai dar nos últimos 12 meses, ou seja, elas vão estar repassando a inflação”, declara Trevizani.

Segundo ele, o fato do reajuste nas mensalidades ser permitido apenas uma vez ao ano deixa as escolas “assustadas” com a possibilidade de novos aumentos, principlamente os das tarifas públicas. “Não tem como não aumentar. Aumenta o salário do professor, luz, água, telefone. As escolas estão aumentando o mínimo possível, até porque com a crise, a classe média está perdendo demais”, observa.

Para Trevizani, o reajuste deverá ser bem aceito pelos pais. “Faz 12 meses que a escola não tem aumento. Como 10% podem assustar os pais?”, indaga. Segundo ele, a maior fatia do aumento se deve à folha de pagamento, que também aumentou neste ano. “Esse ano deu quase 9% (de aumento), e no ano que vem deve ficar em torno de 9% a 10%”, diz.

Trevizani, que é proprietário de uma rede de ensino em Bauru, diz que em suas escolas o aumento para 2003 foi fixado em 10% para todas as séries.

Em uma escola de educação infantil da cidade, o reajuste para o ano que vem será de 9,5%, também para todas as séries, de acordo com a proprietária Luciana Jacob. “Esse ano a gente vai colocar esse reajuste por conta do dissídio dos professores, inflação e outros custos”, relata.

Segundo ela, foi feito um levantamento com alguns pais de alunos, que consideraram o reajuste “dentro da média”. Luciana afirma, no entanto, que é inevitável ter de diminuir a margem de lucro para não prejudicar as matrículas esperadas. “Na média, a gente sempre acaba tendo de apertar um pouco”, declara.

O marido e sócio de Luciana, William Bornia Jacob, explica que grande parte do aumento se deve ao reajuste no salário dos professores, mas que a escola oferece descontos para os pagamentos em dia. “Nós ficamos dois ou três anos sem reajuste. No ano passado, nós demos um reajuste de 6%, mas oferecemos um desconto de 5% para quem pagasse com pontualidade. Ou seja, praticamente não tivemos aumento”, observa.

O diretor financeiro da filial de Bauru de uma rede de escolas, Manoel Lemos, afirma que a manutenção da qualidade do ensino - ou seja, melhores salários para os profeesores - não pode ter prejuízo. Por isso, a solução é conter gastos para evitar reajustes altos. “Na realidade, o que a gente faz é diminuir os custos o máximo possível para não repassar”, diz.

De acordo com Lemos, as mensalidades para 2003 não irão variar de maneira linear, e sim de acordo com as necessidades de cada série. “De acordo com a variação de custos, que são diferentes série por série, nós deveremos ter entre 6% e 12% de aumento”, afirma.

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Corpo docente

Na opinião do economista Reinaldo César Cafeo, delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) de Bauru, os pais devem exigir a apresentação dos gastos da escola que justifiquem o reajuste antes de efetuar a matrícula. “As escolas, para pedir reajuste, têm que mostrar uma planilha de custos demonstrando de onde vieram esses aumentos”

Segundo Cafeo, a atenção maior deve ser voltada ao corpo docente da escola, que deve estar sendo devidamente remunerado. “O pai deve verificar se esses reajustes estão efetivamente valorizando o professor”, diz. E completa: “O maior custo da área de educação é com a mão-de-obra, e se a intenção é valorizar o corpo docente, sem dúvida é necessário repassar algum custo para a mensalidade.”

Quanto ao reajuste médio anunciado pelo Sieeesp para o ano que vem em Bauru, de cerca de 10%, o economista declara que este é um índice que está de acordo com a inflação no período. â€œÉ um patamar aceitável”, avalia.