09 de julho de 2026
Regional

Crédito de carbono substituindo rotas

Por Carlos Corrêa | Tribuna Impressa
| Tempo de leitura: 3 min

O resultado do estudo realizado pela pesquisadora Daniela Bartholomeu será apresentado às concessionárias de rodovias estaduais como uma alternativa de redução de evasão de receita e de proteção ao meio ambiente.

A idéia é substituir as rotas de fuga dos pedágios pelo subsídio aos caminhoneiros, garantido por meio do crédito de carbono, centro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), previsto no Protocolo de Kyoto.

Considerando o resultado da pesquisa, o subsídio para o caminhoneiro andar na estrada privatizada, pagando o pedágio normalmente, deveria ser de R$ 1,05, em média, para cada 565 quilômetro. Com esse valor, seria possível calcular o preço da tonelada de carbono para cobrir o subsídio.

Ela enfatiza que o subsídio poderia ser revertido na comercialização das toneladas de carbono “economizadas”. Teoricamente, assume-se que um litro de diesel consumido gera 2,695 quilos de gás carbônico que, após a conversão, equivale a 0,27 tonelada de carbono – commodity negociável.

Assim, a tonelada de carbono deveria valer US$ 8,98, valor considerado “altamente viável” para um projeto de MDL pelo professor da Esalq/USP José Vicente Caixeta, especialista em logística e transporte, que orientou o projeto de pesquisa ao lado do pesquisador titular do Centro de Pesquisa Aplicada (Cepea), Marcelo Theoto Rocha.

Para Daniela Bartholomeu, adoção de rota de fuga torna o transporte rodoviário ineficiente, uma vez que existem trajetos em melhores condições de infra-estrutura e, como mostrou o estudo, praticamente ao mesmo custo.

“Criando um desconto para os caminhoneiros, as concessionárias de rodovias poderiam atrair os caminhoneiros para as rodovias pedagiadas e, assim, reduzirem a emissão de carbono”, disse.

Viabnilidade

“Dessa forma, poderiam negociar o crédito de carbono e cobrir o desconto com a renda extra dessa venda”, ressalta a economista. Haveria duas vantagens: a economia para os motoristas e menos agressão ao meio ambiente.

Além das próprias concessionárias, a pesquisadora esclarece que outros agentes, entre os quais o governo, poderiam participa do programa de venda de carbono.

O Protocolo de Kyoto permite que empresas de países desenvolvidos, que não consigam ou não queiram reduzir seus níveis de poluição, comprem créditos de carbono (Certificado de Redução de Emissões – CRE) de países em desenvolvimento, que não têm obrigação de reduzir suas cotas.

A assessoria da Triângulo do Sol, concessionária da rodovia Washington Luiz (SP-310) na região de Araraquara, informa que a evasão de veículos das suas praças de pedágio chega a 38% em relação ao volume de dez mil por dia, previsto no edital de concessão.

Dos que buscam rotas de fuga dos pedágios, 70% correspondem a veículos de transporte comercial, a maioria caminhões. A rota mais utilizada no município é a estrada Araraquara - Bueno de Andrada -Matão, usada pelos caminhoneiros para fugir da praça de pedágio do km 282, entre Araraquara e Matão. A empresa ainda não recebeu informações relativas ao estudo patrocinado pelo Cepea.

Ganhos

Daniela Bartholomeu não tem dúvida de que haveria ganhos para as concessionários, para os usuários das rodovias e para o Estado.

“A concessionária poderia melhorar o índice de utilização de suas estradas, os motoristas e transportadores ganhariam em tempo e eficiência, enquanto o governo poderia subsidiar as tarifas de pedágio e, com isso, atrairia os motoristas para as rodovias privatizadas e, consequentemente, diminuiria seus próprios custos de manutenção das rodovias públicas (federais e estaduais).