09 de julho de 2026
Regional

Região teve alto índice de abstenção

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Análise dos resultado das eleições do último domingo, em 48 cidades que fazem parte da região de Bauru e cujas votações foram acompanhadas pelo Jornal da Cidade, um detalhe salta à vista: a alta taxa de abstenção.

A campeã nesse quesito foi Espírito Santo do Turvo. A taxa de abstenção na cidade chegou a 27,4%. Esse número supera, com boa vantagem, o que foi registrado em Paulistânia, a segunda colocada, com 23,3% de faltosos.

Logo em seguida vêm as cidades de Gália (23%), Fernão (22,6%), Garça e Pirajuí (ambos com 21% de abstenção). Essas seis cidades foram as que conseguiram romper a casa dos 20%, na região.

As demais registraram taxas um pouco menores. Mas nunca abaixo dos 11%. De acordo com os números oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os eleitores de Arealva foram os mais assíduos no último domingo.

A cidade apresentou o menor índice de abstenção entre as 48 analisadas pelo JC. Apenas 553 eleitores faltaram à votação. Ou seja, 11,5% do total. Arealva foi seguida de perto por Itaju (12,0%) e Balbinos (12,3%). As três foram as que apresentaram os menores índices.

Em nível nacional e estadual, entretanto, a taxa média de abstenção registrou queda em comparação às eleições de 1998. Naquele ano, 21,49% dos eleitores brasileiros deixaram de comparecer às urnas no primeiro turno das eleições. No último domingo, o índice caiu para 17,8%. Em 1998, o TSE registrava 106 milhões de eleitores. Este ano, o número subiu para 115 milhões.

No Estado de São Paulo existem atualmente 25 milhões de eleitores. Em 1998, eram dois milhões a menos. Naquele ano, foi registrada uma abstenção de 16,51% entre o eleitorado paulista. Na semana passada, quatro milhões deixaram de votar. Ou seja, 16% do total.

Em números absolutos, no entanto, essa porcentagem representa 347 mil eleitores a mais do que em 1998. Nas eleições municipais, por envolver pessoas da própria comunidade e a discussão de assuntos locais, a abstenção é bem menor.

Esse dado é facilmente notado no site do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), onde estão armazenados os resultados das eleições mais recentes. Em 2000, por exemplo, apenas 12,15% dos eleitores de Espírito Santo do Turvo não compareceram às urnas. Um número bem abaixo dos 27,4% registrado no último domingo.

Em Paulistânia, essa inversão de interesse também fica clara ao comparar os números das duas eleições. Enquanto o pleito para a escolha de presidente, governador, senadores e deputados apresentou 23,3% de abstenção - a segunda maior da região -, na eleição municipal, há dois anos, essa porcentagem ficou em 9,23%.

Mesmo as três cidades que apresentaram baixos índices de abstenção no último domingo, registraram porcentagens ainda menores de faltosos em 2000. De acordo com dados fornecidos pelo TRE, os municípios de Arealva, Itaju e Balbinos tiveram comparecimento quase total na última eleição municipal.

Enquanto Balbinos registrou 10,45% de abstenção, Arealva e Itaju registraram 3,29% e 3,01%, respectivamente. De acordo com estudos feitos por cientistas políticos, um dos fatores que favorecem a abstenção é o descrédito da classe política como agente transformador da realidade social e econômica do País.

Na opinião desses estudiosos, pode ocorrer também do eleitor deixar de votar quando passa a acreditar que a eleição está decidida. Nesse caso, ele imagina que seu voto perderá o valor e não irá contribuir para mudar o desfecho da eleição.

Nas três maiores cidades da região analisada pelo JC a abstenção ficou na média apresentada pela maioria. Marília, Jaú e Botucatu registraram, respectivamente, taxas de abstenções de 17%, 12,7 e 15,1%.

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Significado da palavra

A palavra abstenção vem do latim ‘abstinere’, e significa abster, suprimir, privar-se de, evitar. A expressão começa por ser apenas usada no direito privado, como renúncia ou não-exercício de um direito ou obrigação, nomeadamente a uma herança.

Passa depois para a linguagem política, querendo significar a renúncia ao exercício de direitos políticos, nomeadamente o fato de um eleitor não ir às urnas.

Segundo a tese do escritor Alain Lancelot, os abstencionistas exercem quase sempre “papéis sociais subordinados”, correndo-se o risco das eleições se transformarem num “debate entre privilegiados”.

Além do abstencionismo eleitoral, resultante de uma má inserção social, há também o abstencionismo de pessoas interessadas na política.

Elas são informadas e atentas, mas se recusam a fazer escolhas nas condições que lhe apresentam, dado que o leque dos candidatos não lhes permitem a possibilidade de expressão adequada das respectivas preferências. (Fonte: Site www.iscsp.utl.pt)