07 de julho de 2026
Saúde

Hipocondria - A doença da doença

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

A hipocondria é um distúrbio emocional caracterizado pela “mania de doença”. A pessoa entende seu organismo como um inimigo em potencial, que pode “dar trabalho” a qualquer momento. Se a personagem da TV tem artrite, suas articulações começam a doer. Se o vizinho sofre um ataque cardíaco, ela já anuncia que também tem tido algumas palpitações.

Geralmente, são pessoas muito interessadas em saúde. Elas lêem tudo o que há sobre o assunto, assistem a todas as reportagens de televisão e vão ao médico com muita freqüência. Insatisfeitas, elas fazem seus próprios diagnósticos e sentem-se incrivelmente frustradas quando os exames “não dão nada”.

De acordo com especialistas, a somatização é uma característica natural no ser humano. A sensação de medo, por exemplo, faz com que a pessoa transpire, apresente tremores e diarréias. A felicidade faz fechar as pupilas e promove um leve inchaço nos lábios. Ou seja, tudo que está na mente reflete no corpo. É um mecanismo de autodefesa, uma forma de dividir o desequilíbrio emocional com o corpo para não sobrecarregar o cérebro.

Em algumas pessoas, porém, esse processo ocorre de maneira desordenada e exagerada. O indivíduo tem conflitos psicológicos, preocupações, dúvidas e não consegue encarar suas incertezas de frente, então, ele transforma todos os seus medos em dor e mal-estar. São as doenças psicossomáticas, neste caso, a hipocondria.

Só que ele procura o médico, faz exames e não descobre nada, porque realmente não existe uma lesão física. O que ele sente é apenas o “desejo” de que o problema deixe de ser emocional e passe a ser físico, porque assim ele poderia tratá-lo mais facilmente.

Essa idéia é perigosa, porque induz o paciente à automedicação. Ele precisa dos rituais para comprovar que está tentando resolver seus problemas. Então, faz exames, passa pelo desconforto das sondas, dos catéteres, das endoscopias.

Quando o médico diz que ele não tem nada e que, portanto, não precisa de remédios, ele perde a confiança no profissional, pois ele está sentindo as dores. Cansado de passar de consultório em consultório e sempre sair sem uma receita, ele recorre aos conselhos do vizinho, à farmácia caseira e assim por diante.

Porque, apesar de não apresentar nenhuma patologia nos exames físicos, a pessoa vivencia de verdade cada um dos sintomas que relata. A dor é real, o mal-estar é real, o sofrimento físico é de verdade.

Até que o excesso de medicamentos, usados aleatoriamente, acaba resultando numa doença real, um problema de estômago, um distúrbio intestinal, dores de cabeça, tontura, alterações de pressão, taquicardia, insônia ou sonolência, enfim, todos os sintomas que atingem pessoas que abusam de produtos químicos. Afinal, remédios são drogas e deixam inúmeros efeitos colaterais.

Por tudo isso, os hipocondríacos precisam ser respeitados. Debochar deles e acusá-los de mentirosos só agrava a situação. Psicólogos defendem que, quando o organismo adoece, ele só está “gritando” que algo não está certo. É um pedido de socorro.

O procedimento mais saudável é parar para ouvir. É observar onde está o problema, onde está a sobrecarga. O auto-conhecimento é o melhor remédio para as doenças psicossomáticas. Uma dor de cabeça persistente pode ser um pedido de noites de sono mais longas. A pressão no peito pode significar que é hora de dizer ao chefe que aquela situação o incomoda e assim por diante.