Quem chega em Bauru, vindo de outra cidade, nota de imediato um diferencial do município: a grande quantidade de casas de madeira. Esse tipo de construção pode ser encontrado em diversos bairros da cidade, entre prédios e casas de alvenaria.
A secretária municipal do Planejamento, Maria Helena Rigitano, destaca que muitas dessas residências foram construídas com a chegada dos primeiros habitantes da cidade. Naquela época - início do século passado -, a madeira provavelmente era um material barato e em abundância na região. “Pelo que a gente sabe, havia uma empresa especializada na construção desse tipo de casaâ€, explica.
O presidente da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), José Martinho Teixeira da Silva, ressalta que, além do custo mais em conta, a construção da casa de madeira era mais rápida. “Só para comparar: enquanto a de alvenaria levava 60 dias para ser erguida, a de madeira podia ficar pronta em 10 diasâ€, salienta.
Com o crescimento da cidade, muitas dessas casas acabaram sendo demolidas. Mesmo assim, elas podem ser encontradas em muitos bairros tradicionais da cidade, como Vila Cardia, Bela Vista e Vila Falcão.
A comercialização desses imóveis, atualmente, é feita mais pelo preço do terreno do que da residência nele instalada. “As pessoas que buscam uma residência em bairros próximos à região central escolhem a casa mais pelo local. Se ela for de madeira, a opção muitas vezes é demolir para erguer uma nova edificaçãoâ€, explica Martinho.
O professor de história da arquitetura e edificações da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Nilson Ghirardello, lembra que o material utilizado na construção das casas de madeira era trazido através da estrada de ferro. “A madeira era barata na época e transportada com facilidade, o que ajudou a proliferar esse tipo de construção.â€
Um estudo feito por uma equipe de funcionários da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), em 1996, constatou os pontos de maior concentração desse tipo de residência na cidade. Maria Helena Rigitano, que na época atuou no projeto ainda como funcionária de carreira da prefeitura, diz que as constatações do padrão habitacional da cidade mostram que ainda é grande o número de casas de madeira que resistem ao tempo. “Fizemos o levantamento para servir de base para o Plano Diretor da cidadeâ€, salienta.
No estudo, as casas de madeira foram classificadas como “precárias†(cor azul, segundo a legenda), por não oferecer muito conforto aos seus moradores.
As casas classificadas como “modestas†(cor amarela) correspondem aos núcleos habitacionais ou mesmo casas com um estilo mais simples.
Já as residências com um padrão mais alto, geralmente com três dormitórios, garagem para dois carros e construções mais elegantes são as que aparecem identificadas pela cor vermelha. Por fim, a cor preta identifica as casas de alto padrão, também chamadas de “mansõesâ€, a maioria delas concentrada na zona sul da cidade. “O mapa mostra uma realidade de seis anos atrás. Algumas coisas podem ter mudado de lá para cá, mas o modelo básico da moradia em Bauru continua o mesmoâ€, complementa Maria Helena.
Demolição muda IPTU
Para demolir um prédio, seja ele antigo ou não, o interessado deve pedir autorização junto à Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan). A titular da pasta confirma que os pedidos estão crescendo anualmente. “Pelos números de autorizações dadas pela secretaria, notamos uma elevação no interesse por esse tipo de operaçãoâ€, diz.
De 1998 para 2001, o crescimento registrado foi de 92,5%. Neste ano, até o meio da semana passada, já haviam sido requisitadas 137 autorizações. Maria Helena não acredita que o total de 2002 ultrapasse o de 2001, mas a explicação para esse comportamento é a situação econômica do País. “As construtoras e empresas deram uma estagnada e estão demorando mais para fazer esse tipo de obraâ€, analisa.
Depois de autorizar a demolição, a Seplan retira a placa numérica do prédio e dá baixa no seu registro imobiliário. A alíquota do Imposto Predial e Territorial Urbano também muda, passando a ser cobrada a taxa de terreno, ao invés de edificação. “O valor do terreno se mantém, o que muda é que não existe mais a construção e o imposto predial deixa de ser cobradoâ€, destaca a secretária.