Numa loja localizada na avenida Nossa Senhora de Fátima e aberta há menos de sete meses, 90% dos CDs (originais) são vendidos a R$ 4,90 cada um. O segredo está na compra de CDs usados e de estoques à venda em lojas prestes a fechar. Iniciativas como essa estão fazendo com que a pirataria perca espaço na área central de Bauru, onde já foi possível comprar três CDs piratas por R$ 10,00. Hoje, cada um custa R$ 5,00.
“Eu compro CDs usados, novos, arremato o estoque de uma loja que está falindo por preços mórbidos, mas diferentemente de quem se aproveita para lucrar ainda mais, coloco o preço que acho justo. Assim, vendo 300 discos por dia, enquanto a concorrência vende bem menos. Não adianta mais querer explorar o povo. Não vende!â€, diz Altivo Martins Júnior, dono da loja que comercializa CDs originais a R$ 4,90.
Ele explica que é raro comprar lançamentos. E revela que o valor de custo do novo CD de Sandy e Júnior é R$ 26,00. “Eu não comproâ€, afirma. Em compensação, orgulha-se de ter arrematado um lote de trilhas de cinema com filmes de 1960 e 1970 raras de se encontrar, e quando localizadas, custariam em média R$ 40,00.
Um CD duplo em sua loja custa o valor unitário multiplicado por dois, ou seja, R$ 9,80 ou R$ 19,80.O tratamento diferenciado também é uma das armas usadas para cativar os clientes. Altivo deixa que a pessoa ouça o CD todo antes de levá-lo. Caso em sete dias o cliente se arrependa da compra, ele dá direito a uma “troca por gostoâ€.
“Você tem que levar o que quer ouvir. Se gostar desse tratamento, automaticamente você volta. É uma questão de criar fidelidadeâ€. Nesse sentido, a cada disco comprado a pessoa ganha um bônus e o direito de escolher um novo título a cada dez compras. A loja também oferece um cheque fidelidade, em que cadastra seus clientes e passa a oferecer por telefone as novidades que chegam à loja de acordo com as preferências musicais.
Altivo dá um prazo de 24 horas para que o cliente interessado passe no local e, ao menos, ouça o CD. “Ele pode não levar o CD sugerido, mas pode levar algum outroâ€, comemora. A partir da terceira compra, o comerciante também oferece descontos como presente à atitude fiel. “Procuro valorizar o bolso do meu cliente. Compro de quem já se encheu de uma trilha e dou a chance de outra pessoa ter o mesmo disco que custa caro nas prateleiras.â€
Altivo cita que muitas faxineiras que trabalham nas proximidades de sua loja economizam os R$ 5,00, geralmente pagos para o transporte ou alimentação, e montam coleções inteiras de seus cantores, duplas e grupos favoritos a R$ 4,90 cada CD.
Preços mais baixos
Grande conhecedor do mercado, o ex-executivo Evaldo Robson Armani revela que, de modo geral, os preços dos CDs baixaram. Num catálogo de gravadora, apenas 10% dos títulos custam o preço de lançamento e tops, que podem ultrapassar R$ 30,00 para o consumidor final. Os demais estão sendo relançados em séries especiais que, muitas vezes, trazem CDs originais de capa com a grife da gravadora e são vendidos por preços populares.
Armani cita os exemplos das séries Millenium, Sem Limites ou Melhor de 2, e também aponta para a abertura de acervos em coletâneas como Bis, Minha História e Meus Momentos. “Dessa forma, se traz de volta artistas que não estavam na mídia, ou até faleceram, e se barateia o produto com qualidade de ponta.â€
A tendência no futuro, que está sendo experimentada no Japão, é que as gravadoras depositem seus acervos em rede e, através de senha, os lojistas gravem um CD de acordo com a seleção do consumidor. Através do pagamento já são divididos as cotas de direitos autorais, impostos, custos e lucros.
O programa que está sendo testado pela Microsoft e outros que virão devem, segundo Armani, revolucionar o mercado e fazer com que todos tenham acesso a acervos da música mundial, a maioria indisponíveis hoje nos catálogos, com preços menores que os atuais.