17 de maio de 2026
Geral

Pirataria está supervalorizada, dizem comerciantes

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 3 min

Com as alternativas aos preços aplicadas pelos lojistas, a pirataria vem perdendo espaço no Centro da cidade. Hoje, cada CD pirata custa R$ 5,00, mas já foi possível comprar três por R$ 10,00. A camelô Simone Bento explica que alguns barraqueiros ainda operam pelo preço antigo, mas a ordem é comprar a mídia branca nacional com nota, e não mais a mídia verde vinda do Paraguai, que era mais bem mais barata.

Ela conta que um CD pirata custa ao camelô R$ 2,80. “E ainda corro o risco de perder tudo numa blitz. Vendo CDs há quase um ano, mas no começo vendia bem mais.” Nas ruas de São Paulo se encontram até 12 discos piratas embalados em plástico por R$ 10,00.

No mercado de discos há 27 anos e tendo trabalhado por dez anos como executivo de grandes gravadoras, o bauruense Evaldo Robson Armani voltou à cidade no ano passado para se aposentar da indústria.

Hoje, contabiliza três lojas em pontos estratégicos de Bauru e uma distribuidora que vende no atacado para uma região que abrange o Interior de São Paulo, o Mato Grosso e o Paraná.

Armani explica que a negociação é a grande tendência do mercado de discos, pois a pirataria corresponde a 60% do mercado de CDs no País. Segundo ele, a alta do CD original se deve à baixa na venda dos produtos.

“Antigamente, um LP valia 10% do salário mínimo e as pessoas não sentiam no bolso sua compra. Hoje, o mesmo percentual pesa. As pessoas dizem que o CD está caro tendo como referencial a pirataria, que não pode servir de referência para nada. O único custo que eles têm é com o CD virgem e a capa, sem direitos autorais e custo de marketing”, comenta.

De outro lado, a cada disco o trabalho de um artista se torna mais valorizado, à medida em que crescem sua fama e execução na mídia. Ele cita o exemplo de João Paulo e Daniel, que no início da carreira vendiam pouco, gravavam em estúdios menores e divulgavam o trabalho só na região. Hoje, Daniel tem carreira internacional, mesmo depois dos modismos da lambada e do funk, pois a área de penetração do sertanejo no Brasil ainda é a maior de todos os ritmos regionais.

A boa negociação com fornecedores faz com que Armani consiga vender CDs a partir de R$ 3,99. “Tudo com nota, novo e original, mas porque compro ponta de estoque direto da indústria e em grandes lotes para a distribuidora. Isso segue uma tendência internacional. Nos Estados Unidos e na Europa são chamadas de lojas de descontos”, diz.

Por esse motivo, consegue se manter no Centro da cidade, batendo de frente com a pirataria. Mesmo assim, Armani explica que o mercado por um bom tempo vai se dividir entre os CDs de promoções baratos e os caros CDs de ponta, que são os lançamentos, e principalmente os internacionais, pois o mercado está nas mãos de cinco empresas multinacionais.