09 de julho de 2026
Política

Sob protesto, prédios são liberados

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Sob protestos dos moradores e discussão acalorada entre os próprios parlamentares, a Câmara dos Vereadores rejeitou o projeto de lei de autoria do vereador Osvaldo Paquito da Silva (PPS), que proibia a construção de novos edifícios nos bairros Vila Riachuelo e Vila Mariana, zona sul de Bauru, localizadas entre as avenidas Nossa Senhora de Fátima e Getúlio Vargas.

Para a proibição ser aprovada, eram necessários dois terços dos votos dos vereadores - isto é, 14 votos favoráveis. No entanto, o projeto de Paquito obteve 12 votos a favor e oito contrários. O vereador Renato Purini (PV) se absteve de votar. O pai dele, Roberto Purini, é proprietário de um terreno no local.

Desde o início da sessão da Câmara, cerca de 30 moradores do quatrilátero formado pelas ruas Alfredo Fontão, Jamil Gebara, Ignácio Alexandre Nasralla e professor Alberto de Rezende estavam ansiosos pela votação. Durante o decorrer da tarde, alguns vereadores chegaram a usar a Tribuna sugerindo o sobrestamento da votação.

Quando o projeto foi para discussão, o vereador Rodrigo Agostinho (PMDB), favorável à proibição, afirmou haver um “conflito de interesses” em relação à questão. Para ele, a proibição deveria ter sido já para o primeiro dos 15 prédios que existem atualmente no quadrilátero. “Duvido que um projeto de alteração da lei de zoneamento da cidade passaria dentro dessa casa”, afirmou Agostinho.

O projeto do vereador Paquito foi um pedido dos moradores da região da Vila Mariana e Vila Ricahuelo. Segundo o parlamentar, a área está saturada de empreendimentos verticais. Um novo projeto previsto para o local - um prédio de 15 andares - poderia causar um colapso nos sistemas de energia elétrica, telefone e, principalmente, água e esgoto.

Ao término da votação, os moradores ficaram revoltados. Da platéia, se ouviam gritos de “é uma vergonha”. Ana Cristina Rodrigues de Oliveira, uma das “líderes” dos moradores, estava aos prantos. “Numa hora dessas você tem vergonha de ser bauruense, porque mais uma vez, dentro dessa Casa, prevaleceu a vontade de um político”, desabafou.

O ex-vereador Luiz Roberto Relvas, da platéia, gritava para os vereadores que queria explicações sobre a abstenção de Purini. Durante o pequeno tumulto que se formou, o vereador Paquito disse que a Casa era uma “vergonha”, e causou mal-estar entre os parlamentares.

Corporativismo

Paquito admite que “perdeu a boa” com a posição de alguns vereadores, mas disse que o que incomodou não foi o voto de cada um, e sim a motivação. “O vereador tem que colocar seu mandato a serviço da população, do público, e não individualmente”, declarou. E completou: “O resultado da votação eu aceito com naturalidade.”

Para o vereador, a saída para os moradores da região agora é aguardar uma posição do Executivo municipal. “Eu acredito que o prefeito precisa urgentemente tomar uma posição, fazer um plano de zoneamento para a sociedade, para evitar que haja esse corporativismo aqui na Câmara, porque quando não tem uma pessoa interessada, você aprova e evita um problema”, disse.

Em contrapartida, o vereador Renato Purini afirma que a abstenção dele foi mesmo pelo fato de que seu pai é proprietário de um terreno na região abrangida pelo projeto. “Não é segredo para ninguém”, afirmou. “De uma forma ética e para mostrar que eu não tinha interesse nenhum em aprovar ou não esse projeto eu pedi para me abster.”

Purini afasta a idéia de que houve corporativismo de alguns vereadores. “Eu não pedi para ninguém votar contra ou a favor do projeto. Cada um vota de acordo com sua consciência”, declarou. E prosseguiu: “Se Bauru começar com isso (proibir contruções), não se constrói nada em lugar nenhum mais.”

Quanto ao pedido de explicações sobre sua abstenção, por parte de moradores presentes na platéia, o vereador observou que o regimento da Câmara não prevê isso. “Eu não sou obrigado (a explicar)”, afirmou.