08 de julho de 2026
Polícia

Pai é acusado de molestar sexualmente filhas gêmeas

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Testemunhas denunciaram que duas meninas de 8 anos, gêmeas, vinham sendo abusadas sexualmente pelo pai em Bauru. O caso chegou ao conhecimento da polícia, que prendeu o acusado, de 43 anos, em flagrante.

O nome do acusado não está sendo divulgado para preservar as meninas, em cumprimento ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O JC obteve todas as informações sobre o caso, mas optou por ater-se somente aos fatos e, inclusive não identificar testemunhas, para preservar as vítimas.

Segundo as testemunhas ouvidas pela reportagem, os abusos eram diários. Por volta das 10h, de acordo com as denúncias, ele mandava os dois filhos meninos para a rua ou para o tanque de lavar roupa, para dar banho nas meninas. Ele aproveitaria o banho para abusar das meninas.

Os fatos ocorreriam no período em que a mulher do acusado, mãe das meninas, permanecia fora de casa, trabalhando, conta uma testemunha. “Ele trabalhava à noite em uma pizzaria e ela pegava latinha e papel durante o dia. O pai é que banhava as meninas para mandá-las à escola”, conta.

Uma das testemunhas lembra que em junho, período dos jogos da Copa do Mundo, ouviu um gemido seguido de pedido de socorro vindo da casa. “A voz era de uma das meninas. Ela pedia para o pai parar. Ela não queria que ele desse banho nela”, lembra.

A partir de então, a testemunha passou a observar com mais atenção os barulhos que vinham da casa. “Num outro dia ouvi duas meninas que brincam com a gêmeas dizendo: ‘Seu galinha onde já se viu beijar a própria filha. Em seguida saíram correndo para a rua’”, relata.

A testemunha diz que percebeu que, todos os dias, próximo das 10h, uma das meninas pedia socorro e às vezes chorava e insistia para que o pai parasse com alguma coisa. “A minha amiga também ouviu. Ela procurou a mãe das meninas e falou para ela não deixar mais as filhas com o pai, mas não chegou a falar claramente sobre o assunto”, ressalta.

“Pedi para ela (a mãe) levar as meninas porque o marido dela estava maltratando-as. Contei que tinha ouvido o pedido de socorro”, lembra. A mãe não teria acreditado que seu companheiro pudesse estar maltratando as filhas.

Um dia, a testemunha decidiu sondar o que estava acontecendo na casa vizinha. “Vi ele (o pai) em cima de uma das meninas. Ele alisava o corpo dela e se esfregava nela sem calção. A menina rejeitava-o, mas não tinha forças para reagir. Fiquei inconformada, mas não fiz nada. Tive medo de denunciar”, lembra.

Ajuda veio de fora

A comprovação do abuso sexual ocorreu quando o filho de uma testemunha estava reformando o muro da casa. “Pedi para ele erguer o muro da minha casa. Ele estava trabalhando quando viu a menina sem calcinha sendo acariciada pelo pai. Ele beijava o corpo todo dela, inclusive as partes íntimas”, relata a mulher.

O rapaz teve um acesso de raiva. “Eu estava com as ferramentas e pensei em ir lá e matá-lo de tanta raiva. Mas resolvi falar com a minha mãe. Ela falou que sabia e que não tinha como agir”, conta o rapaz.

Revoltado, ele procurou um investigador de polícia para denunciar o caso. “Minha mãe cedeu a casa para eles investigarem e não deu outra. Ele (o pai) estava abusando das meninas”, frisa.

Segundo a testemunha, a polícia filmou as cenas. â€œÉ revoltante ter pessoas como estas no nosso meio”, diz. Os filhos homens do casal, também menores, segundo as testemunhas, sabiam dos abusos, mas tinham medo de falar e apanhar do pai.

Polícia

As investigações do caso foram feitas pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) em conjunto com a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). O delegado titular da DIG, José Jorge Cardia, não quis se manifestar sobre o assunto porque envolve menores.

Sabe-se que o pai foi autuado em flagrante por atentado violento ao pudor, crime que prevê reclusão de seis a dez anos. Ele foi encaminhado à Cadeia Pública de Bauru.

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Desvio

Um pai que abusa das filhas pode ter um desvio de sexualidade, avalia a psicóloga Ana Cristina Pereira. De acordo com ela, para poder falar concretamente sobre o caso é necessário uma avaliação mais profunda sobre a vida do pai e das meninas. “Estamos fazendo uma avaliação superficial”, diz.

Na opinião dela, muitas vezes homens que se comportam dessa maneira já sofreram violência sexual. “O pai pode ter sofrido abusos na infância. Isso não é uma regra, mas antes de condená-lo é preciso avaliar o caso”, explica.

A psicóloga ressalta que as meninas precisam de acompanhamento psicológico. “O trauma vai aparecer quando elas depararem-se com os conceitos sociais e perceberem que aquela atitude do pai é condenada pela sociedade. Em muitos casos, elas se sentem culpadas, trazem a culpa para elas”, frisa.

A ajuda de um profissional poderá amenizar a situação das meninas. A psicóloga ressalta que o fato pode marcar a vida das meninas.