11 de julho de 2026
Política

Mercadante diz que fica no Senado

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Fazendo o “meio-de-campo” do PT no segundo turno, o senador recém-eleito Aloizio Mercadante (PT) afirmou ontem, em Bauru que, em princípio, não deixará seu cargo para assumir um ministério num eventual governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Pela manhã, Mercadante se encontrou com representantes da indústria e empresários de Bauru e região. Em seguida, participou de encontro com correligionários, prefeitos e vereadores.

Na opinião do senador, os mais de 10 milhões de votos que recebeu - e que o colocam como o parlamentar mais votado da história - não podem ser esquecidos. Disse ainda que “sente nas ruas” a vontade do eleitor de que ele permaneça no Senado.

“Eu não posso simplesmente chegar no dia 1 de fevereiro (posse do Senado), tomar posse, virar ministro e não exercer o mandato de senador, a exemplo do que o (candidato à Presidência da República pelo PSDB) José Serra fez”, declarou.

O senador eleito revela, no entanto, que a hipótese de assumir uma pasta - provavelmente a da Economia - é algo esperado pela própria cúpula do PT.

“Vou trabalhar muito por esse governo na condição de senador. Pode ser que ao longo do meu mandato, eu venha a ser ministro”, ponderou.

Mercadante, que agora está em campanha por Lula e José Genoíno (PT), candidatos à Presidência da República e ao governo de São Paulo, respectivamente, afirmou que, na opinião dele, a elevação da taxa básica de juros do Brasil para 21% - anunciada anteontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) - não deverá ser decisiva para a vitória de Lula.

“Evidentemente, os erros dessa política econômica foram muito grandes, e levaram o Brasil a essa situação. Eu não acho que esse (elevação dos juros) seja um fator decisivo. Acho que o povo já escolheu pela mudança, já votou no primeiro turno”, afirmou Mercadante.

Na opinião do senador eleito, os juros de 21% causariam mais recessão, impedindo o desenvolvimento dos setores produtivos do País. “O Brasil não tem outro caminho: ou produz e cresce, exporta mais, gera divisas ou nós vamos viver uma situação muito difícil. A saída não é mais recessão, a saída é mais crescimento”, opinou.

Ainda na esfera econômica, Mercadante defendeu uma reforma tributária que desonerasse os pequenos exportadores e, sem citar nomes, criticou as idéias de “professor Pardal” de alguns membros de equipes econômicas que já passaram pelo governo. “Nós vamos propor um caminho de trabalho. O Brasil não sai dessa crise a não ser crescendo, produzindo e exportando”, disse.

O petista também se posicionou contra a assinatura da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) tal como está proposta atualmente. “O que é que nós vamos negociar? Se eles (os Estados Unidos) são maiores e mais produtivos, os juros deles são 1,75% ao ano. Aqui, a taxa de juros mínima do governo é 21%. Como é que nós vamos competir?”, indagou. E completou: “Nós não vamos assinar um acordo que não interessa ao Brasil, custe o que custar.”

Aplausos

Durante o encontro com políticos de Bauru e região e correligionários, Mercadante agradeceu o apoio do prefeito Nilson Costa (PPS) às campanhas de Lula e de José Genoíno (PT), candidato ao governo do Estado.

“Não é fácil tomar uma atitude de independência e apoiar um candidato de oposição nesse Estado, diante da dificuldade em que as prefeituras se encontram”, declarou.

Na última sexta-feira, Nilson havia sido vaiado durante a assinatura do contrato de gestão do Hospital Estadual de Bauru, feita pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição.

Ontem, em contrapartida, o prefeito foi aplaudido pela platéia majoritariamente petista.

“As vaias de sexta-feira foram de alguns holerites, daqueles que estavam ali em uma missão política”, disse Nilson, que aproveitou para criticar a visita de Alckmin ao hospital.

â€œÉ preciso reconhecer que esse hospital não está pronto. Então, era um ato ali intitulado de administrativo, mas que tinha muito de eleitoral.”