07 de julho de 2026
Geral

Formação rápida é polêmica

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Embora não conheça o conteúdo programático dos cursos superiores de curta duração, a professora do Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Ana Maria de Andrade Caldeira, vê com ressalvas a qualidade dos cursos. Para ela, eles podem ser bem aplicados para profissionais que já estão no mercado, mas não para alunos que estão deixando agora o ensino médio.

“Um estudante que conclui o segundo grau e faz um curso que não ofereça uma formação mais sólida em outras áreas que não a técnica, pode ser lançado ao mercado de trabalho sem uma formação crítica, o que seria prejudicial”, explica.

Na opinião dela, a idéia destes cursos é interessante, desde que as disciplinas não coincidam com as de cursos tradicionais já estabelecidos. “Me parece um interessante como especialização”, avalia.

O diretor regional da Unip, Geraldo Magela, concorda parcialmente com ela. Para ele, alguns cursos não funcionam nesta modalidade de dois anos, como os de saúde, por exemplo, que exigem produção de conhecimento. “A rapidez na formação beneficia também os estudantes mais carentes, que encontram dificuldade em bancar quatro anos de ensino particular”, argumenta.

Mas a estrutura das aulas não é o único ponto de reserva. Para o gerente regional do Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae), escritório Bauru, Paulo Tebaldi, o aproveitamento dos créditos para aqueles que já estão inseridos no mercado de trabalho vai depender muito da linguagem que for utilizada.

“Recebemos aqui muita gente queixando-se da maneira como as informações são transmitidas nos cursos de graduação tradicional. A prática fica muito distante da teoria. O fato do curso ser mais rápido e voltado à especialização técnica não significa que esse problema seja sanado”, ressalta.

Já na opinião da administradora do hotel Saint Paul Residence, Heloisa Crivelli, qualquer tipo de formação vale a pena. “Sem um curso de administração, por exemplo, é impossível gerir um negócio como este”, frisa.