Com uma certa freqüência temos tido a oportunidade de ler nesse espaço democrático do JC alguns elogios quanto à gestão do governo do Estado de São Paulo nos últimos oito anos. Claro que nem tudo que é escrito tem a concordância da grande maioria dos leitores. Seria importante que os admiradores do atual modelo passassem a nos brindar com a relação das grandes obras da atual administração tucana. Isso iria ser muito bom para que pudéssemos conhecer um pouco da tão propalada capacidade administrativa do atual governo e postulante a um nova período à frente do maior Estado da Nação. Então os defensores poderiam começar nos contando o que foi feito nos últimos oito anos para conter a criminalidade. Qual a política de segurança? Que Leis foram criadas ou alteradas na Assembléia Legislativa ou no Congresso Nacional para mudar esse estado de insegurança que campeia em nossas ruas. Eu fiquei sabendo que uma das medidas foi a convocação dos usuários de celulares pré-pagos para fazer um cadastramento e que em Taubaté estava sendo usado um boneco no lugar do segurança daquele presídio. Na educação muito se fala na aprovação automática dos alunos no ensino básico, e pouco ou quase nada se fala da existência de uma política educacional consistente e que possa estar revolucionando o ensino em nosso Estado. Seria o momento de sabermos o que foi feito nos últimos oito anos. Alguém poderia nos dizer e provar para onde foi o dinheiro da privatização no âmbito do nosso Estado? Até o momento, ninguém, nem ao menos o atual candidato, conseguiu essa proeza. Outro assunto que merece consideração e o devido esclarecimento é o pagamento dos precatórios que se acumulam aos milhões e não foram pagos conforme manda a Justiça. Se o nosso estado está com as finanças em ordem, como afirmam os seguidores do atual governo, porque não foram pagos esse precatórios que se arrastam na Justiça depois de julgados a favor dos reclamantes?
Não adianta elogiar sem conteúdo, é preciso provar com números, pois afinal de contas, não são oito dias nem oito meses e sim oito anos à frente da atual administração. A duplicação da Bauru-Marília foi prometida em 1994 por Mário Covas e até hoje continua sendo objeto de novas antigas promessas. As únicas coisas que Bauru ganhou até hoje foram milhares de desempregados, uma unidade da Febem, e a perspectiva de mais uma penitenciária. É isso que Bauru merece? O Hospital Regional somente foi acionado no momento mais propicio da campanha eleitoral e, mesmo assim, ainda não está funcionando. O Aeroporto Internacional também está parado, ou aguardando um nova eleição para ser inaugurado? Por que tanta demora? O Serra não diz que é preciso alguém competente e com experiência para desenvolver o país? Porque então não conseguem concluir essa obra?
Eles agora querem debates, mas se esquecem que na eleição passada o candidato FHC não compareceu a tantos debates como sugerem agora, dando mais um demonstração de casuísmo eleitoral e desespero, uma vez que o julgamento popular no primeiro turno foi inquestionável. (Rafael Moia Filho - RG 6.711.407-6)