Brincando um pouco com as palavras, vou começar dizendo que coragem, etmologicamente, pode ter seu radical, tirado de coração - cor agem com o coração.
De fato, esse substantivo concretíssimo, que a gramática teima em classificar como abstrato, marca a diferença entre os viventes.
E, é no coração, essa caixa de segredos, alegrias, tristezas, decisões, escondida entre as grades das costelas, que começamos nossa atitude de sermos corajosos frente à vida.
Claro que estou divagando poeticamente, mas, todos sabemos, que ao tomarmos uma decisão que exige coragem, nossa adrenalina vai a mil, e nosso coração quase pára ou dispara.
Coragem é o ato de alguém que empurra o medo pra longe de si mesmo, porque sua vontade de ser agente da vida é mais forte que qualquer outro sentimento.
Coragem é virar a mesa, num amor que não deu certo.
Coragem é mudar de emprego, se este lhe dá suporte financeiro, mas não o faz feliz.
Coragem é enfrentar mudanças, mesmo que o novo lhe assuste.
Coragem é bater de frente com uma doença, que quando tem de vir, não escolhe endereço.
Coragem é superar a morte de alguém que amamos.
Coragem é deixar pra trás lembranças boas ou más.
Coragem é sorrir dos fracassos, e aceitar o sucesso, sem se deixar amesquinhar, ou tornar-se prepotente.
Coragem é recomeçar todos os dias, como se fosse o primeiro de sua vida.
A vida não dá moleza pra ninguém, muito embora sempre achemos que a galinha do vizinho é mais gorda!
Bobagem pura! Todos os mortais têm suas dificuldades, seus desapontamentos, e seus sonhos nem sempre realizados.
O que diferencia um mortal de outro, não é a ausência de problemas, mas a coragem de enfrentá-los.
Está lá no livro milenar: “Se te mostrares frouxo, no dia da angústia, a tua força será pequenaâ€.
No amor como na vida só os corajosos chegam lá!
É uma atitude que vem do coração.
Não é à toa que em todos os tempos, os mais diversos seres humanos, estamparam junto ao coração o emblema do que acreditavam.
O caçador selvagem, colocava os ossos de sua presa, num cordão junto ao peito.
O gladiador, o emblema de seu senhor em sua armadura.
O atleta, o nome de seu time.
Os hippies, usavam cordões que mostravam sua despretensão frente aos bens materiais.
O fã coloca junto ao peito a imagem de seu ídolo.
Nós outros, que não temos camiseta pra estampar nossa coragem, trazemos no brilho do olhar e na luz do nosso sorriso, nossa coragem estampada.
É isto aí, parte do coração para fora, através das janelas do corpo.
Por isso é que gosto de sempre repetir o sábio:
“De todas as coisas que deves guardar, guarda teu coração, porque dele procedem as saídas da vidaâ€. (Escritora, poeta, acadêmica da Academia de Letras de Bauru, artista plástica e colaboradora de arte de Ju Machado - Escritório de Arte)