08 de julho de 2026
Auto Mercado

Exportações são a bola da vez

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Nunca as exportações tiveram papel tão fundamental para as montadoras nacionais como agora. Além de reconhecimento e prestígio internacional, a comercialização com o Exterior vem garantindo um “plus” financeiro às fábricas em um mercado cada vez mais acirrado e disputado à tapa.

Nesse sentido, as exportações não são a fonte principal de recursos das montadoras - a maioria, obviamente, origina-se das vendas tupiniquins -, mas colaboram decisivamente para equilibrar as cifras de suas enormes e bilionárias receitas.

Até mesmo o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, durante seu discurso na inauguração oficial do Salão Internacional do Automóvel 2002, ressaltou a importância das exportações. “Recebi críticas quando disse, certa vez, que era hora de exportar ou morrer. É preciso que se haja uma percepção dessa realidade.”

Um dos exemplos do esforço exportador das montadoras podem ser vistos com a General Motors. Segundo o vice-presidente da GM, José Carlos Pinheiro Neto, a idéia é obter um acréscimo de 20% no volume para 2003. “Deveremos fechar 2002 com faturamento de US$ 1 bilhão nas exportações e pretendemos, no próximo ano, atingirmos a casa de US$ 1,2 bilhão de ”, revela.

Pinheiro Neto argumenta que a previsão deve-se à possibilidade de maior penetração da GM em mercados da América Latina, África do Sul, México, China e Índia. “Além disso, estamos quase concluindo um contrato de 40 mil unidades com um país, que ainda prefiro não revelar o nome. A somatória de tal cenário nos leva a crer que poderemos exportar o volume planejado para 2003”, enfatiza o vice-presidente.

O presidente da General Motors do Brasil, Walter Wieland, também mostra-se otimista com o setor. “Aumentamos o segundo turno na fábrica de São Caetano graças às possibilidades de vendas em vários mercados de todos os modelos do Astra”, afirma ele. Entre eles, estão países como o México, África do Sul, Chile, Argentina, Colômbia, Venezuela e Equador.

Alberto Ghiglieno, superintendente da Fiat para a América Latina, também faz previsões animadoras para as exportações da montadora. Ele estima que, em 2003, as comercializações com o Exterior aumentem cerca de 50%. Para atingir a meta, Ghiglieno aposta na força mexicana. “No próximo ano, investiremos em novos mercados, principalmente o México, para alcançarmos tal patamar”, revela o executivo.

Segundo Antonio Maciel Neto, presidente da Ford, a idéia é aumentar o volume de exportações no próximo ano, que “será de muitos desafios”. “Nossa estratégia para 2003 envolverá, principalmente, exportar a Eco Sport para os mercados do México e Argentina, o que deverá melhorar nosso desempenho no setor, que este ano já foi positivo”, considera ele.

Maciel Neto exemplifica que as exportações da Ford, em 2002, irão ultrapassar os US$ 500 milhões e totalizarão um aumento de 15% em relação ao ano passado. “Somente no mês passado, obtivemos um volume recorde de 7 mil unidades repassadas ao Exterior”, acrescenta ele.

Pólo exportador

O crescimento da importância das exportações para as montadoras tem justificado até a manutenção de investimentos no País, mesmo diante do complicado momento político e econômico brasileiro.

Paulo Sérgio Kakinoff, diretor de marketing da Volkswagen, ressalta que o Brasil, além de absorver carros cada vez melhores no mercado doméstico, também é um pólo produtor muito competitivo para exportação. “E, por isso, os investimentos vão continuar em ritmos bastante fortes e não cessarão. Nos últimos três anos, só a Volkswagen injetou no País R$ 3 bilhões.”

Mas quando o assunto é exportação, a Volkswagen aposta suas fichas na família Polo. “O Golf já é um carro muito exportado e conseguiu conquistar uma penetração no competitivo mercado americano. O Gol é o carro mais exportado do Brasil e agora a família Polo entra pelo mesmo caminho. Espera-se que o modelo acumule, até o final do ano, cerca de 130 mil unidades comercializadas para o Exterior”, afirma Kakinoff.