08 de julho de 2026
Auto Mercado

Mercado interno e tendência de investimentos

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Quando o assunto é o imprevisível mercado interno, as expectativas das montadoras são muito mais comedidas. Segundo Marcos Munhoz, da GM, em 2002 a fábrica deverá fechar com cerca de 1,5 milhão de veículos comercializados. “Para 2003, acreditamos em previsões de crescimento moderado da economia. Assim, esperamos atingir entre 1,550 milhão e 1,6 milhão de carros vendidos e uma participação de mercado de 23% a 23,5%”, considera.

Munhoz ressalta, ainda, que a diminuição da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) causará mudanças no mix de comercialização dos automóveis em índices não maiores a 10%. “A experiência dos meses de agosto e setembro, já com o mercado praticando os novos índices, nos faz ter essa visão. Desta forma, acreditamos que a participação dos automóveis 1.0 caia dos atuais 68% para 60%”, analisa ele.

O vice-presidente da GM garantiu também que a montadora manterá seus investimentos previstos para o Brasil, independente de quem venha a se tornar o próximo presidente da República. “Eles não só permanecem como estão confirmados. Já estamos aqui há 80 anos e enfrentamos várias crises. Portanto, qualquer que seja o eleito ele será bem-vindo”, enfatiza Pinheiro Neto.

Para Eduardo de Souza Ramos, presidente da Mitsubishi do Brasil, a tendência de investimentos deverá transferir-se dos carros populares para as minivans. “Acredito que o mercado deve ser cada vez maior para as pequenas vans, que irão tirar espaço dos hatchs e pequenos sedãs. Isso porque faz muito mais sentido ter um veículo para a família em formato de van, um pouco mais caro, do que os sedãs”, considera ele.

Apesar disso, Ramos argumenta que os investimentos devem diminuir. “A capacidade ociosa da indústria ainda é muito grande e muitos recursos só estão sendo injetados por quem precisou achar um ponto de equilíbrio para o seu anterior investimento industrial. Mas grandes e novos montantes, enquanto não houver um acerto da indústria financeira e uma base firme para o crescimento do mercado de consumo, acho difícil”, pondera ele.

Já o diretor de marketing da Volkswagen, Paulo Sérgio Kakinoff, tem uma visão diferente de Ramos. Ele sustenta que os segmentos dos compactos e sedãs são os de maior potencial para novos investimentos. “São nichos em que a demanda é cada vez maior”, afirma. E acrescenta: “Apesar do mercado não apontar um crescimento significativo nos próximos anos, acreditamos na previsão mais otimista que ele deverá crescer, no máximo, 5% ao ano até 2006.”

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Bicombustível

Conforme o AutoMercado&Cia já havia abordado em matéria recente, a possibilidade dos veículos dotados com a tecnologia “flex fuel” ganharem as ruas em um futuro próximo foi confirmada durante a 22.ª edição do Salão do Automóvel.

A Fiat, através de seu diretor comercial, Lélio Ramos, anunciou, sem citar o(s) modelo(s), que a montadora também já está desenvolvendo a tecnologia. “Até o fim de 2.003 ela já deverá estar disponível”, enfatiza ele.

Lélio ressaltou, ainda, que a fábrica também possui projetos para carros movidos a GNV (Gás Natural Veicular), que deverão ser lançados no primeiro trimestre de 2003, e novos modelos Palio e Siena 1.5 a álcool, previstos para chegarem ao mercado em janeiro do próximo ano.

A Ford, que durante o lançamento do novo Fiesta apresentou três protótipos “flex fuel” do modelo, revelou que a Eco Sport, exibida pela primeira vez durante o Salão, poderá ser a próxima a contar com a tecnologia. “Não lançamos a Eco Sport a álcool porque pretendemos que ela possua os motores flexíveis. Estamos acelerando os estudos, mas ainda não definimos uma data para seu ingresso no mercado”, revelou o presidente da Ford.