08 de julho de 2026
Geral

Homens rejeitam ereção estimulada

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Aproximadamente 50% dos usuários de medicamentos que facilitam a ereção masculina abandonaram o uso. Dentre os motivos está a falta de espontaneidade, uma vez que o usuário tem que programar as relações e ingerir o medicamento uma hora antes. O mesmo remédio foi testado em mulheres e apresentou resultados positivos para a falta de sensação na área genital.

A rejeição aos medicamentos disponíveis no mercado despertou a indústria farmacêutica que investe em pesquisas para saber como a ereção acontece e quais os produtos químicos que interferem no relaxamento do corpo do pênis para que ocorra a ereção.

O assunto é tão sério que foi tratado por especialistas do mundo todo no 10.º Congresso da Sociedade Internacional dos Estudos para Impotência Sexual, realizado no Canadá, no final do mês passado.

O urologista bauruense Aguinaldo Nardi que participou do evento explica que há inúmeros medicamentos sendo testados, desde 98. “A indústria farmacêutica mundial está voltada para a pesquisa, uma vez que a disfunção erétil atinge metade dos homens com idade entre 40 e 70 anos.”

Segundo o especialista, os homens não estão contentes com as drogas disponíveis no mercado que exigem uma programação antecipada. “Novos produtos estão sendo testados e deverão chegar ao Brasil no ano que vem. Um deles promete ter uma ação prolongada de 36 horas, enquanto que os atuais têm ação de quatro.”

Um estudo desenvolvido com 202 mulheres pós-menopausa e que tinham feito cirurgias no útero mostrou, no entanto, que os medicamentos disponíveis no mercado podem resolver alguns dos problemas sexuais femininos, frisa o urologista.

As mulheres pesquisadas tinham perdido a sensação vaginal na hora da relação sexual. O estudo feito na Califórnia durou 12 semanas e ofereceu o medicamento para metade delas e a outra parte, ingeriu placebo, ou seja um comprimido de farinha.

Mais de 57% das mulheres obtiveram melhoras na sensação genital durante a relação. “Apesar de ser um estudo único, parece que o medicamento pode funcionar em mulheres.”

A autora da pesquisa, Laura Berman, professora de uma universidade de Los Angeles acredita que o medicamento aumenta o fluxo sangüineo na área genital e pode aumentar a lubrificação.

Nível de colesterol

O nível de colesterol pode estar relacionado com disfunção erétil, alerta o urologista. “Vários trabalhos relacionam os níveis altos de colesterol com a impotência sexual. Os profissionais passam a estudar mais este item nos pacientes que apresentam o problema.”

A avaliação cardiológica dos pacientes com disfunção erétil também deve ser adotada. “Os casos devem ser estudados. Em muitos deles, a questão cardiológica é mais importante.”

Novas alternativas

O congresso internacional mostrou ainda, segundo o médico, que as opções para os pacientes que sofrem de impotência sexual estão aumentando. “Para aqueles que não podem usar os medicamentos que contenham nitrito ou nitrato, há um creme que está em estudos na Califórnia e em New Jersey.”

O uso da auto-injeção também está sendo aperfeiçoado. “No congresso foi mostrado um dispositivo que facilita a aplicação. O método não provoca dor e deve ser lançado em breve no mercado.”

Vilões

O cigarro foi, mais uma vez, apontado como o vilão da impotência sexual. A nicotina causa contração dos vasos sangüineos impedindo que o sangue circule no pênis adequadamente para levar à ereção.

Já o alcatrão que existe em grande quantidade no cigarro, aumenta. “São placas que vão se colocando nos vasos sangüineos. A longo prazo vai causar um problema de ereção.”

O médico lembra que o cigarro provoca a diminuição de oxigenação no tecido e transformação desse tecido dificultanto a ereção.

A depressão também é fator agravante na disfunção erétil, frisa o especialista. Segundo ele, o paciente deprimido não consegue ter ereção e sem ter ereção, ele fica mais deprimido.

Estudos não conclusivos apontam, segundo o médico Aguinaldo Nardi, que o uso continuado de bicicletas pode causar alterações na vascularização da região do corpo do pênis. “Por causa do assento que força a musculatura. A orientação é para que os ciclistas que usam o veículo por mais de quatro horas/dia, façam pausas e alongamento na região do períneo.”