07 de julho de 2026
Geral

Alta do dólar leva Centrinho a reduzir programa auditivo

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

A alta do dólar está tornando a audição um sonho mais distante para muitos deficientes auditivos de Bauru e de todo o Brasil. Os programas auditivos do Hospital de Reabilitação de Anomalias Crâniofaciais da Universidade de São Paulo, o Centrinho, estão prejudicados devido à escalada da moeda norte-americana.

O problema é que os aparelhos de amplificação sonora, que dispensam cirurgia, e as próteses computadorizadas para implante coclear são importados. “Principalmente os programas vinculados à importação estão ficando difíceis de dar continuidade. A instabilidade do dólar é muito grande”, afirma o superintendente do hospital, José Alberto de Souza Freitas.

O Centrinho é pioneiro em implante coclear multicanal no Brasil - procedimento que custa de US$ 15 mil a US$ 18 mil. Embora a instituição realize em média oito implantes cocleares por mês, desde agosto não foi feito nenhum. No total, foram feitos 40 implantes este ano.

Segundo Freitas, com a alta do dólar, cada implante coclear provoca um déficit de US$ 3 mil a US$ 5 mil. Já cada aparelho auditivo gera um déficit de cerca de US$ 180 mil.

Os 60 pacientes que estão na fila para receber o implante aguardam a regularização da situação. Eles já passaram por exames prévios e só aguardam a cirurgia.

No caso dos aparelhos auditivos, são 2.300 pessoas que estão na fila. Desde 1996, o hospital já instalou quase 11 mil aparelhos de amplificação sonora, sendo 3.451 no ano passado e 1.908 entre janeiro e agosto deste ano.

O aposentado Alcides Victório, 67 anos, está há cerca de um ano na fila do Centrinho para conseguir um aparelho de amplificação sonora.

Alcides trabalhou durante muito tempo em uma metalúrgica, com máquinas que produziam muito barulho. Ele não utilizava proteção auditiva.

De acordo com o filho, Altayr Alcides Victório, o problema foi detectado há cerca de seis anos. O tratamento não foi suficiente para evitar a perda quase total da audição.

“Sem o aparelho, ele não escuta nada. Ele fica irritado, nervoso e sem paciência”, conta Altayr, que conseguiu um aparelho emprestado de uma clínica de Bauru.

Solução

O superintendente do Centrinho viaja hoje a Brasília em busca de uma solução para o problema junto ao Ministério da Saúde. O objetivo do encontro é conseguir a fixação do dólar na tabela para viabilizar a importação de aparelhos sem prejuízos.

“Estamos apresentando uma proposta para o Ministério de R$ 3,25, que é a média, para que sejam feitos reajustes nas tabelas do implante coclear e dos aparelhos auditivos”, expõe Freitas.

Ele explica que a alta do dólar afetou não apenas os programas auditivos do hospital, mas todos os procedimentos de alta complexidade que necessitam de materiais e equipamentos importados.

“Isso causou um problema sério para nós no que diz respeito a um déficit financeiro que estamos negociando com o ministério para ver como vamos superar essa dificuldade. O que a gente recebe é insuficiente para pagar o fornecedor. Isso está criando um buraco financeiro que nos preocupa”, enfatiza o superintendente do Centrinho

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Hospital

A alta do dólar também está afetando as finanças do Hospital de Base (HB) de Bauru. De acordo com o diretor clínico, Samuel Fortunato, a dívida do hospital aumentou com a disparada da moeda americana, enquanto o orçamento permanece o mesmo.

Um dos principais reflexos da alta do dólar no hospital é o aumento do preço do filme para os aparelhos de raio-X, que ficou 50% mais caro. No HB, são feitos 18 mil raios-X por mês.

A situação também inviabiliza a troca e manutenção de equipamentos importados, como tomógrafo e ultra-som. Outros produtos que também estão pesando nas contas da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) são os de plásticos descartáveis, tais como seringas e equipos de sangue.

“Se tiver aumento do combustível devido à alta do dólar, tudo o que chegar para a gente vai ter aumento porque o transporte vai aumentar”, acrescenta Fortunato.

Os gastos, entretanto, não estão sendo sentidos pelos usuários já que, segundo Fortunato, a quantidade de atendimentos não foi reduzida. A diretoria está driblando a situação através de negociação com fornecedores e de um repasse feito pelo governo do Estado para amenizar o problema.

“A gente chora para eles e eles repassam uma verba para custeio, para ajuda”, expõe o diretor.

O diretor técnico da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Affonso Viviani Júnior, não foi localizado para falar sobre como a alta do dólar está afetando o órgão.