10 de julho de 2026
Bairros

Jaraguá reclama de obras inacabadas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Descaso, abandono, preconceito e discriminação são as palavras mais utilizadas pelos moradores do Parque Jaraguá quando o assunto é a paralisação das obras do Programa de Encontro da Turma (PET) e a morosidade no processo de pavimentação das ruas no bairro.

A Prefeitura Municipal de Bauru é alvo de ataques porque atrasou em mais de 18 meses a entrega do PET, inicialmente previsto para ser concluído em janeiro do ano passado. O prédio inacabado está sendo dilapidado por vândalos, que já levaram cerca de 200 metros do alambrado que o cercava, todas as válvulas dos vasos sanitários, os batentes das portas e algumas telhas.

Para Valter Manuel da Silva, que mora na quadra 16 da rua Arnaldo Rodrigues de Menezes, em frente ao prédio abandonado, a situação indica descaso por parte da administração municipal porque faz tempo que não são tomadas providências.

“Se o prefeito priorizasse o Jaraguá, alguma iniciativa ele teria tomado. Ficamos tristes com este descaso pois nossas crianças não têm onde ficar e se o programa estivesse funcionando, elas estariam recebendo o tratamento adequado”, justifica.

Já na opinião de Silas Borges, que tem casa na mesma rua, o mais preocupante é a utilização do prédio para práticas ilícitas, como uso de entorpecente e prática de atividades sexuais.

“Aqui é um local perigoso porque não tem iluminação. Já ouvi falar que até desmanche de carro fazem dentro do PET. À noite isso aqui vira um motel e ouvimos gritaria. Antigamente tinha um vigia, agora não tem mais”, explica.

De acordo com o presidente da Associação de Moradores do Jaraguá, Luiz Carlos Guerra, o chefe de gabinete do prefeito, Antonio Sérgio Marsola, teria prometido a indicação de um vigilante para o local, o que não aconteceu.

“Já não contamos com quadras de esporte, áreas de lazer ou praças e quando estamos prestes a receber um programa adequado para os jovens, ele também acaba nos trazendo problema. Temo que à noite possa acontecer alguma desgraça com as moças e meninos que passam por aqui depois da escola”, ressalta.

O comandante da Base Comunitária de Segurança Noroeste, tenente Renato Ramos, confirma que prédios abandonados contribuem para a criminalidade, contudo enfatiza que o local conta com a proteção de equipes de radiopatrulha, do Grupo Especial de Policiamento Ostensivo com Motocicleta (Gepom), Cavalaria e do Tático.

“Mesmo assim, acredito que o local possa ser freqüentado por dependentes de droga e namorados, contudo nunca ouvimos falar em desmanches por lá. Nosso policiamento não vai resolver todas as questões, até porque as dificuldades da região vão além disso e dependem de um projeto muito maior, a longo prazo”, esclarece.

Pavimentação

Concorda com Guerra Djalma Carvalho da Costa, morador da rua Juvenal Bastos, quadra 3, para quem pelo menos as promessas de pavimentação poderiam ser cumpridas rapidamente. “Já falaram tanto que iriam asfaltar as ruas e até agora nada, que só vou acreditar neste discurso quando o piche estiver na rua. Esqueceram da gente há muito tempo, nem vale mais a pena brigar”, garante.

A rua onde mora já recebeu a instalação das guias, entretanto Djalma não se conforma com a morosidade das obras. “Me disseram que é falta de concreto. É que receber da prefeitura é igual receber de pobre, é duro. Enquanto isso, tem criança passando mal com tanta poeira”, comenta.

Tem a mesma opinião Cleunice Maria Aquino, mãe de um menino de 1 ano e 7 meses. Segundo ela, seu filho chega a ficar com falta de ar devido ao pó. “Gasto um dinheirão com colírio e descongestionante nasal. Eu e ele sofremos com renite”, informa.

Segundo informações obtidas junto ao núcleo de saúde do bairro, com o período de estiagem, a procura por inalação dobrou de cinco para dez crianças por dia. Não souberam confirmar se a poeira teria provocado o aumento no atendimento, mas enfermeiros confirmaram que ela pode agravar o quadro de saúde daqueles que enfrentam problemas respiratórios.

Uma outra queixa decorrente da poeira diz respeito ao asseio familiar. Fátima Cesário informou que em algumas circunstâncias tira suas roupas do varal e as coloca imediatamente de molho, de tão vermelhas que ficam devido ao pó que vem das ruas. Ela disse que o núcleo está abandonado pela prefeitura, mas não fez análises políticas do contexto.

Diferentemente dela, Cleunice e Guerra acreditam que a situação do Jaraguá não está melhor por questões partidárias. Segundo ela, a pavimentação foi prometida para favorecer as eleições, mas como ela está se encerrando e o asfalto não veio, possivelmente não virá mais.

Já para Guerra, o Jaraguá ainda não foi pavimentado porque parte dos recursos para a este fim é estadual e foi liberado por solicitação do deputado Pedro Tobias (PSDB) que, para ele, tem uma boa relação com o PPS, partido do prefeito Nilson Costa.