Cidadania não se impõe, se constrói através da prática e de ações fortalecendo os laços culturais de uma sociedade. Ficamos indignados quando profissionais formadores de opinião e responsáveis diretos e indiretos se negam a participar de atividades referentes a formação intelectual do indivíduo como um todo. E depois cobram da instituição escola atitudes, e quando esta toma, delegam a segundo plano e esquecem que a instituição escola, por mais falida que esteja, ainda é um referencial para a nossa sociedade tão desacreditada.
Enquanto tivermos esse desinteresse, pagamos um preço alto por nossas atitudes. Depois da tragédia e de tudo perdido gritamos e nos lamentamos. Por que não gritarmos antes do ocorrido? Para evitarmos que cicatrizes venham deixar marcas terríveis principalmente para os jovens. Vamos no obá, obá, depois tentamos agir. Não será tarde demais?
Mas os brasileiros dão sempre um jeitinho, e esse jeitinho está criando alienados, excluídos etc. etc. Uma sociedade sem volta, desesperados procurando os “canudos†da vida, e dando a sua própria vida. Enquanto esse pequeno rebanho permitir a si mesmo essa resistência de não assistir a uma peça teatral que denuncia toda falta de compromisso de nossos governantes e de nós mesmos enquanto cidadãos, cobrar o quê? De quem? De nós mesmos? Dos nossos dirigentes que ali colocamos? A política somos nós que a fazemos. Através de uma educação informal com peças teatrais, feira cultural, que muitas das vezes não nos foi privilegiado e quando temos devemos participar, e construirmos juntos a cidadania de nossos jovens, e isso ocorreu na V Feira Cultural do Colégio Rogacionista, com salas retratando “Casa do Garoto formando cidadãosâ€, â€œÉ de pequeno que começamos a construir a cidadaniaâ€, “Presidentes que marcaram épocaâ€, “O que podemos construir através de sucatas, preservando o meio ambienteâ€, “Ditadura e exclusão socialâ€, “Direitos do cidadãoâ€, Teatro Musical: “Cidadania: participar ou não participar, eis a questãoâ€, Mega Show: “Através da música, os cidadãos expressam seus valoresâ€.
Quero aproveitar esse momento para agradecer a todo elenco da peça “Participar ou não participar, eis a questãoâ€. A todos os alunos do colégio que colaboraram e aos propedêuticos Edmilson, Marcio e Cristiano, que se esforçaram para uma causa nobre, a de prevenção, denunciando as conseqüências da ditadura militar 64/84, dos excluídos, mas não vencidos, retratando as nossas sofridas almas indígenas e a exclusão social dos sem-teto e sem-terra, como conseqüência da nossa ignorância política, onde os propedêuticos deram uma verdadeira aula de cidadania, deixando as suas valiosas mensagens aos mais ou menos 1.500 alunos acompanhados por profissionais conscientes da educação que enriqueceram ainda mais a feira com suas valiosas presenças, aqui o nosso muito obrigado a esses profissionais anônimos, que deixaram as suas salas de aula para uma prática de cidadania junto com seus alunos numa caminhada calorosa, humana, e também pelo calor do sol, 40º, a que se propuseram a enfrentar, enquanto o mais cômodo era ficar em suas respectivas salas de aula, de suas escolas estaduais e municipais: Joaquim Madureira, Carolina Lopes, Antonio Guedes, Anibal de Francia, Gilgal, Maringoni, Cefam onde puderam juntamente com seus alunos visitar as salas que retratavam com muita clareza o processo de cidadania e inclusão social difundida pelo padre Aníbal M. Di Francia, pensando nos garotos excluídos, onde em Bauru através dos rogacionistas fundaram há 50 anos a Casa do Garoto. (Prof.ª Maria Isabel Gimenes Gandara Silva - RG: 8.098.995)