08 de julho de 2026
Pesca & Lazer

Tucunaré: o pavão do rio

Tribuna Impressa
| Tempo de leitura: 4 min

Outubro marca o fim do período de procriação dos Tucunarés. Desde abril, os casais juntaram-se na perpetuação da espécie e desenvolveram pacientemente o trabalho de acompanhamento da prole. Entre várias espécies, o Tucunaré destaca-se pelo extremo cuidado que adota em relação a seus filhotes realizando um verdadeiro trabalho de acompanhamento e defesa, o que garante um elevado índice de sobrevivência e explica, em parte, o aumento da quantidade de peixes onde é introduzido.

Nas áreas onde são nativos, a própria natureza encarrega-se de manter o equilíbrio entre as demais espécies de forma que este predador sobreviva e deixe os outros sobreviverem.

Quem deseja dedicar-se à sua pescaria tem, a partir de agora, um período excelente para pôr em prática as táticas utilizadas, devendo porém observar de forma rigorosa a legislação vigente para não incorrer em erros e infringir qualquer norma de proteção, já que estamos em época de piracema.

O equipamento

O Tucunaré pode ser pescado de várias formas, desde a mais simples, com uma vara de bambu, até a mais sofisticada com varas de carbono e carretilhas com freio magnético.

Um simples anzol munido com um pedaço de barbante até o mais elaborado streamer pode ser utilizado na sua busca. O que deve ser decidido pelo pescador é a forma que pretende utilizar para a pesca e esta varia de local para local e de período para período, muitas vezes, num único dia.

Para os rios da região, é recomendado o uso de uma linha 0,35mm de boa qualidade. Ela é suficiente para a maioria das ações. Em outras regiões, como a Amazônica, por exemplo, só a linha deveria subir para 0,70mm sem contar com o aumento significativo do molinete, carretilha ou vara utilizada.

Quanto ao anzol, um 2/0 é suficiente para segurar com firmeza a isca viva. Se for de haste longa, melhor ainda pois vai facilitar a soltura do peixe.

Cores

É muito difícil determinar uma cor de isca preferida pelo peixe, pois há dias em que atacam num determinado tipo e outros em que nenhuma ou todas exercem o trabalho de atração. Geralmente, as cores claras são as mais indicadas, como branco mesclado com vermelho, o laranja, o dourado, etc.

Uma atenção especial deve ser dada às cores cítricas principalmente quando a água estiver um pouco turva.

A isca

Tucunarés são buscados com iscas vivas ou artificiais. Não há dúvida de que as primeiras têm um poder de atração maior pois afinal, é o prato preferido da espécie. Porém, quanto à esportividade, nada se compara ao uso de iscas artificiais que permitem um trabalho de atração maior, uma precisão de arremesso impressionante e a facilidade na realização da pescaria, pois evita com sucesso o enorme trabalho de capturar ou comprar as iscas vivas, mantê-las nesta condição e iscá-las a cada ação.

Tamanho e composição

As iscas artificiais devem ter o tamanho proporcional ao peixe existente no local. Uma isca de 14 centímetros dificilmente vai atrair um exemplar de menos de um quilo, enquanto uma isca de metade deste tamanho será dilacerada por um indivíduo com mais de três quilos.

Como o pescador não pode advinhar o que vai encontrar, uma medida intermediária deve ser utilizada. Uma isca em torno de dez centímetros de tamanho deve servir de teste inicial. No trabalho da isca artificial, o pescador vai perceber os ataques que serão feitos. Através deles, é possível determinar se está usando o atrativo aquém ou além das expectativas.

Existem iscas de muitos materiais, porém as que melhor resultado oferecem são as de madeira balsa, geralmente importadas e cotadas em dólar, o que significa um investimento razoável.

Tem um inconveniente que é a ação exercida pela dentição do peixe durante o ataque. Muitas vezes, elas não resistem à ação e sofrem danos, como quebras, trincas ou buracos. Se forem de pequena monta, procure disfarçá-los com tinta. Se não tiver jeito, substitua e guarde a quebrada para mostrar aos amigos. Só não vale esburacá-la com as próprias mãos para justificar o “monstro” que escapou.

Iscas de barbela

São aquelas cujo objetivo é atrair o peixe em profundidades que vão da meia-água até rente ao fundo, função exercida pela barbela mediante a sua maior ou menor inclinação.

São indicadas para os períodos intermediários do dia, por exemplo, entre às 10h e às 16h, horário em que há a maior incidência do sol na água e por causa disso, a espécie prefere buscar as áreas de sombra.

Como elas estão na profundidade, a isca de barbela passará bem próxima e é a mais indicada.

Iscas de superfície

Especialmente indicadas para o período em que a luz solar ainda não atinge plenamente a água, pois é o momento em que a espécie ataca rente à superfície.

Como regra geral, até as 9h e após as 17h e até o anoitecer, está o período mais indicado para seu uso. Note que as iscas de superfície subdividem-se em grupos de acordo com o trabalho realizado.

As “zaras”, porém, são as mais indicadas pelo efeito de ziguezaguear na água que lhes é transmitido pelo pescador.