Os implantes cocleares (ouvido biônico) para deficientes auditivos realizados pelo Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (Centrinho) podem ser retomados em novembro. Os programas auditivos da instituição estão suspensos desde o final de julho devido à alta do dólar, que fechou ontem em R$ 3,86.
Conforme matéria publicada pelo JC na edição de anteontem, tanto implantes quanto aparelhos auditivos são importados e adquiridos na cotação do dia da moeda americana.
Como o hospital só recebe do Sistema Único de Saúde (SUS) cerca de 60 dias depois a um dólar abaixo da atual cotação, em valor pré-fixado, a defasagem gerou uma dívida de R$ 4 milhões para a Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Cranio-Faciais (Funcraf) - entidade que apóia as atividades do hospital e que responde pelas importações.
Cada aparelho auditivo, importado principalmente dos Estados Unidos, Dinamarca e Noruega, custa para a instituição entre US$ 300 e US$ 600. Já o implante coclear custa de R$ 12 mil a R$ 17 mil junto aos fornecedores.
Com a escalada do dólar, cada implante gera um déficit de US$ 3 mil a US$ 5 mil para o Centrinho.
O superintendente do hospital, José Alberto de Souza Freitas, esteve ontem em Brasília (DF), onde negociou a retomada parcial dos implantes cocleares. Um fabricante norte-americano aceitou fornecer o equipamento ao Centrinho a partir de novembro. A negociação deve ser fechada até o final da semana.
Freitas também teve audiência com o secretário-geral da presidência da República, Euclides Scalco, para tratar do assunto. Ele obteve a garantia de apoio do governo para solucionar o problema. Os termos desse apoio ainda serão detalhados.
O repasse do valor para cobrir o rombo do Centrinho será solicitado ao Fundo Social do governo federal amanhã, em Brasília.
A instituição responde por 80% dos implantes feitos pelo SUS no Brasil e 60% das adaptações gratuitas de aparelhos auditivos. Foram cerca de 300 implantes desde 1990 e quase 11 mil aparelhos de amplificação sonora fornecidos desde 1996.
Atualmente, estão na fila de espera 60 pacientes que aguardam o implante e 2.300 que precisam de aparelhos auditivos.