09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

TALVEZ FREUD EXPLIQUE TANTO MEDO


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No momento em que escrevo este artigo, a eleição está a uma semana de ter sua definição em segundo turno. Dentre os muitos acontecimentos em torno desse processo, três me chamaram a atenção nesse período de intensa discussão democrática no país. Foram as declarações de Antônio Ermírio de Morais, Regina Duarte e Gugu Liberato. O empresário dono do maior cartel de cimento da América Latina e um dos donos da recém privatizada CPFL, disse aos jornais que o candidato Lula não poderia ser considerado um estadista, pois em sua visão isso iria depor contra grandes nomes que ele considerava como estadistas, citando entre eles o atual presidente brasileiro FHC.

Lembrei-me então de Março/1990, quando esse mesmo senhor concedeu uma entrevista ao humorista Jô Soares, no SBT, logo após Fernando Collor de Mello e Zélia Cardoso terem surrupiado o dinheiro de todo povo brasileiro, inclusive a poupança. Naquela ocasião, o empresário ao ser questionado pelo apresentador, deitou falação enaltecendo as medidas tomadas pelos doidivanas e disse que acreditava na eficácia das mesmas.

Lembro isso para deixar bem claro que a opinião de um empresário contra Lula, nas maioria das vezes, pode até soar como um profundo elogio. Talvez para o nobre barão do cimento o seu modelo de estadista seja do porte de um Collor ou de um Geisel, quem sabe. Quanto a Regina Duart,e muito já foi falado sobre sua declaração de medo quanto a vitória de Lula e sua futura administração.

Ela tem o sagrado direito de emitir sua opinião, o que precisa nos esclarecer é se anda sem medo nas ruas de São Paulo ou Rio de Janeiro, se não tem medo de ver crianças morrendo de fome no Nordeste, e se nunca teve medo de perder seu emprego na Globo e ficar como milhares de brasileiros na fila por mais de um ano à espera de uma nova oportunidade.

Por último vem o “ Rei das baixarias na TV brasileira aos domingos”, o senhor Gugu Liberato, clone vivo de seu patrão Silvio Santos. A imprensa divulgou matéria comprovando a concessão irregular e suspeita de uma emissora de televisão no Mato Grosso, mesmo tendo perdido a licitação que começou em 1997, e que teve como vencedora a empresa Pantanal Som e Imagem.

Dias antes do início do programa eleitoral, onde ocuparia o lugar de âncora e defensor ferrenho de José Serra, o apresentador esteve em Brasília ao lado do recém-eleito deputado federal Edson Aparecido - em audiência com o ministro das Comunicações Juarez Quadros do Nascimento, época em que o processo ainda estava tramitando por aquele ministério. Não é a toa que essa gente tenha tanto medo do PT, talvez pela paura de ver os arquivos do poder serem expostos à imprensa e ao conhecimento de toda nação brasileira. Todos eles são livres para emitir suas opiniões a cerca do processo eleitoral, entretanto, o mesmo direito nos é concedido para interpretarmos suas declarações sobre outras óticas mais interessantes. (Rafael Moia Filho - RG 6.711407-6)