08 de julho de 2026
Geral

Migração cai, mas é positiva

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A taxa de migração de Bauru caiu em relação à década de 80, mas continua positiva e constante, ou seja, crescendo. Ela seria muito maior se o município continuasse sendo um entroncamento ferroviário, como nas décadas passadas.

Essa é a opinião do coordenador da Defesa Civil de Bauru, Àlvaro de Brito. Segundo ele, se as estradas de ferro continuassem funcionando, a periferia da cidade estaria inflada.

“Esse movimento tem sido provocado atualmente pelas penitenciárias, que são chamarizes de pessoas. Mesmo que esse ou qualquer outro aspecto sedutor desapareça e que exista um êxodo, algumas famílias sempre ficam na cidade”, explica.

As grandes mudanças estruturais pelas quais o País está passando também podem ter favorecido uma queda na taxa de migração. É assim que pensa o professor de sociologia da Instituição Toledo de Ensino (ITE), Hilário Rosa. “Com a política neoliberal, muitas empresas faliram ou foram privatizadas. Além disso, a informatização tem roubado vagas de trabalhadores”, comenta.

Assim como Rosa, Brito lamenta o fato da cidade não contar com um centro de estudos migratórios que faça uma triagem das pessoas que chegam a Bauru. O município dispõe de um serviço desta natureza oferecido pelo Albergue Noturno, entidade ligada ao Centro Espírita Amor e Caridade.

Numa conversa rápida com o JC, funcionários da entidade confirmaram que muitas famílias atendidas por eles acabam permanecendo por aqui, mas não puderam prestar outras informações devido ao horário da consulta. Entretanto, os migrantes auxiliados pelo albergue são de origem humilde e muitos perambulam de uma cidade para outra, o que não caracteriza o perfil de todos as pessoas que se instalam na cidade.

Muitos profissionais com qualificação também chegam ao município. É o caso, por exemplo, de Norma Regina Truppel Constantino, que passou a viver em Bauru depois que seu marido foi transferido de Curitiba para cá pela empresa em que trabalhava.

No município há 12 anos, ela conquistou um emprego público e faz especializações na sua área de atuação. “Questões de emprego motivaram minha vinda. Os bauruenses são muito receptivos e achei muito bom educar meus filhos aqui. Agora, alimento esperanças de que as coisas melhorem para que todas as oportunidades que surgiram para mim sejam possíveis a todos”, conclui.