08 de julho de 2026
Articulistas

Problema de solidariedade


| Tempo de leitura: 2 min

Flagelado, desde muito tempo, pela carência de impulsos suficientes para desaparecer do espaço, o nosso seríssimo desemprego profissional, estimado em 8/10 milhões de vítimas, deverá ser um pesadíssimo desafio para o novo governo, pois é estultícia esperar-se pacientemente que a sua total eliminação ou mesmo a sua minimização possam ocorrer com a velocidade que a sociedade anseia e a nascente administração nacional se revela disposta a bater-se para consegui-la. Não deverá ser fácil a concretização do propósito, considerando-se que para alcançá-la terá a nova equipe de se embrenhar em iniciativas corajosas, de difícil concepção e nada fácil execução. Talento para tanto talvez não faltem aos homens, sabedores que são dos caminhos que poderão levá-los às fontes produtoras ou armazenadoras de ocupações profissionais - às quais se dá a denominação de mercado de trabalho - e poderão usá-las a favor da enorme legião de homens e mulheres, de todas as idades, que a elas se dirigem todos os dias com resultados tristemente frustrantes. Não é suficiente apenas, porém, divisar perto ou longe as fontes navegáveis de águas aparentemente mansas e limpas, haja vista que o encaixe profissional de tanta gente não depende unicamente de se constatarem as necessidades inatas do empresariado, por ele mesmo reconhecidas. É que um requisito a que se chama claramente de solidariedade humana se inclui no cordel das preocupações desafiantes do contingente governamental, tendo-se em vista que a conquista do cobiçado ideal se interliga visceralmente a uma impreterível boa vontade dos empregadores, sem a qual as medidas impositivas legais de forma nenhuma darão frutos. Precisam, portanto, ser conscientizados do dever de tal solidariedade e da ajuda patriótica todos quantos tenham possibilidade de colaborar com o socorro que esteja a seu alcance, para que a nação se liberte das garras aduncas do tal desemprego, revitalizando o desenvolvimento exigido pelo setor e deixando de mostrar tantos brasileiros vestidos por aí com a trágica e desumana roupagem da indigência e da fome por falta de salário. Os campos empregadores terão de ser despertados para a boa vontade e essa colaboração não poderá a nova administração deixar de recorrer, consciente de que é imprescindível a parceria dos poderes oficiais e privados para resolver o problema, porque uma andorinha só de forma nenhuma faz verão... É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)