A queda-de-braço entre supermercados e fornecedores, que está resultando em preços altos nas prateleiras, pode ser solucionada através do lado mais prejudicado: o consumidor. Essa é a opinião da Associação Paulista de Supermercados (Apas) e de supermercadistas da cidade.
Isso porque alguns produtos, como o açúcar, chegaram a ter alta de até 100% nos últimos dois meses e correm o risco de faltar nas gôndolas. Os supermercados estão apostando na conscientização dos clientes para substituir, ou até mesmo boicotar, os produtos que sofreram elevação considerada abusiva.
“A gente tem que conscientizar a população para que deixe de consumir esses produtos que estão tendo aumento exorbitante, porque nós, infelizmente, não temos poder de controlar esses aumentos. É o governo junto com a indústriaâ€, declara o presidente da Apas, Jad Zogheib, proprietário de uma rede de supermercados em Bauru.
Na opinião de Zogheib, os estabelecimentos não podem deixar as prateleiras sem produtos essenciais, como o arroz, o óleo de soja e o próprio açúcar, mas o consumidor poderia tentar conter o consumo desses itens para forçar a queda dos preços na indústria. “Se diminuir o consumo, com certeza a indústria vai rever esses aumentosâ€, diz Zogheib. E completa: “Tudo foi em função dessa febre do dólar.â€
Outra rede supermercadista paulista, que recentemente passou a controlar estabelecimentos em Bauru, está distribuindo panfletos nas lojas e pretende, possivelmente hoje, afixar cartazes nas gôndolas onde estão os produtos que tiveram maior alta. “Diga não a esse produtoâ€, recomendará a empresa a seus clientes.
De acordo com a assessoria de imprensa da rede, essa é uma “ação nacional†de pressão contra aumentos considerados excessivos, que poderá ocasionar até a falta - por boicote - de algumas marcas de produtos. Os panfletos alertam: “Se algum produto de sua preferência estiver em falta, pedimos sua compreensão e solicitamos que leve um outro produto similar.â€
Ainda segundo a assessoria, a rede está tentando absorver parte do repasse para não afugentar o consumidor. No caso do açúcar, a indústria reajustou o produto em 77%, mas a rede afirma que repassou apenas 50% para o preço final.
Uma rede de supermercados americana, que tem uma unidade instalada em Bauru, prefere uma saída “diplomática†para a queda-de-braço com os fornecedores, segundo informa sua assessoria de imprensa.
â€œÉ imprescindível que haja redução de custo em todas as transações, principalmente na cadeia de suprimentos. Para a empresa, toda e qualquer redução deve refletir diretamente no bolso do consumidorâ€, diz o comunicado da assessoria.
Estoque baixo
Na avaliação do diretor de outra empresa supermercadista de Bauru, Cláudio Moura, o risco de faltar açúcar no mercado é iminente. “Nós estamos com o estoque baixo e existe o risco de ter faltaâ€, afirma. Segundo ele, os fornecedores reajustaram o produto em 100%, índice que teve de ser repassado ao consumidor.
Para Moura, uma ação conjunta dos supermercados - com a ajuda do governo - poderia solucionar o problema. “A indústria não é mais forte que o varejo. Hoje, se os supermercados baterem o pé e não aceitarem as tabelas, eles (os fornecedores) vão ter que voltar atrásâ€, declara.
Outro produto que pode faltar em breve, segundo Moura, é o arroz, que subiu 70%. “Em 60 dias, se não acontecer nada (ações por parte do governo) pode faltar arroz no mercadoâ€, diz.
Moura afirma que os preços subiram entre 20% e 25% “no geralâ€, o que pode implicar na falta de produtos se vierem novos aumentos da indústria. “Em alguns casos, a gente pode ficar sem o produto por não aceitar as tabelas novas de preço. É o caso dos produtos de limpeza e higiene pessoalâ€, observa.