A Campanha de Prevenção ao Câncer de Pele, promovida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, realizada ontem no Instituto Lauro de Souza Lima, atraiu centenas de pessoas preocupadas com manchas e pequenas deformações na pele. A preocupação mostrou-se mais freqüente entre pessoas com idade a partir dos 35 anos.
A campanha levou mais de 280 pessoas ao instituto somente entre 8h e 11h30 de ontem. A maioria dos que procuraram orientação mostrava interesse em eliminar suspeitas da doença.
Uma equipe composta por seis médicos dermatologistas da cidade, além de residentes do hospital, esteve à disposição da população, gratuitamente. O médico Ivander Bastazini comentou que as pessoas que apresentaram suspeitas do câncer de pele serão encaminhadas para fazer outros exames. Aquelas que tiveram diagnóstico confirmado passam a ser encaminhadas para o tratamento.
Cultura da proteção
O dermatologista Ivander Bastazini ressalta a importância da detecção precoce. “Quanto mais cedo for iniciado o tratamento, maiores são as chances de cura do paciente e melhores são os resultados estéticos. As pessoas que ficam permanentemente expostas ao sol, ou por longos períodos diários, devem proteger a pele com o produto corretoâ€, adverte.
Para Bastazini, a propensão é obviamente maior para os grupos que se expõem aos raios solares. “Essas pessoas devem entender que o protetor solar deve ser usado duas vezes ao dia em todos os dias, pela manhã e durante o início da tarde. Para esse grupo, o protetor solar deve ser um hábito assim como já é a escova de dente. O produto tem que ser levado junto com a pessoa para uso durante o diaâ€, menciona.
Este é o quarto ano em que a campanha está sendo realizada. Em 2001, das 685 pessoas atendidas em Bauru, cerca de 10% tinham câncer de pele. A média é ligeiramente superior à nacional, que fica em 9,5%. A porcentagem foi considerada elevada. Os dados da campanha deste ano serão divulgados durante a semana, após a tabulação das informações.
Nos atendimentos de ontem, os dermatologistas procuraram identificar lesões suspeitas de câncer de pele. “A maior parte dos casos que surgem estão associadas às áreas do corpo mais expostas, como o rosto, cabeça, pescoço, orelhas e braços e antebraços. Boa parte das pessoas que apresentam a suspeita também pode ter a maior propensão na própria famíliaâ€, cita.
As pessoas com pele mais clara devem usar o protetor com mais rigor e com fator de proteção mais alto. “Mas as pessoas de pele mais escura também devem usar o protetor. A diferença é que com o fator de proteção adequado à sua peleâ€, conta Bastazini.
Segundo o dermatologista, o câncer de pele é mais comum em pessoas com mais de 40 anos. Entretanto, jovens também podem contrair a doença.
Os principais sintomas são manchas acastanhadas ou pretas que não existiam antes; caroços duros, que podem aumentar de tamanho; feridas que não cicatrizam; pinta ou verruga com alteração de cor ou tamanho.
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Prevenção
Pequenas alterações na pele e, sobretudo, o aparecimento de manchas levou centenas de pessoas a buscar a orientação médica ontem no Instituto Lauro de Souza Lima.
Foi o caso de Elizabeth Chiaveli Ferreira, de 41 anos. Ela conta que trabalhou em contato com o sol em demasia nos últimos anos e nunca usou proteção para a pele. “Ninguém teve câncer de pele na família, mas o surgimento de algumas manchas na mão e no pescoço me preocuparamâ€, contou ao dermatologista.
Chiaveli alegou que o sol já machucou bastante sua pele e que buscou na campanha uma forma de tirar a dúvida. “Fiquei preocupada com a mancha no pescoço e uma camada grossa que coça nas mãosâ€, disse.
Catarina Carvalho também atendeu à campanha levando a mãe e um grupo de amigos. “Acho muito importante esse tipo de campanha. Por falta de informação as pessoas não buscam conhecer o problema e nós temos um hospital de ponta em Bauru. A campanha é de grande importância e com exames gratuitosâ€, comentou.
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Tipos de câncer de pele
• Carcinoma Basocelular: responsável por 70% dos diagnósticos de câncer de pele – foram 43.600 no Brasil em 2001 -, mais comum após os 40 anos em pessoas de pele clara. Não causa metástase mas pode destruir os tecidos locais. Maior incidência no rosto devido à exposição solar acumulativa durante a vida.
• Carcinoma Epidermóide: representa 25% dos casos – 15mil casos no Brasil em 2001 – e pode provocar metástase. Entre suas causas está a exposição solar prolongada, sem proteção, tabagismo e em vítimas do HIV. Maior incidência nas orelhas, lábio inferior, mãos e rosto.
• Melanoma: detectado em 4% dos pacientes – 3.050 casos no Brasil em 2001, com 314 mortes – é o tipo mais perigoso, com alto potencial de produzir metástase. Mais comum entre os 30 e 60 anos e é relacionado a queimaduras solares no corpo. (Fonte Agência Estado)