Seccional aperta cerco contra armas
Medida mais rigorosa para a liberação de armas visa dificultar uma dinâmica que hoje tem beneficiado marginais
A Delegacia Seccional de Bauru adota tolerância zero para o porte de arma. Só três pessoas, duas de Bauru e uma de Iacanga receberam autorização, este ano, para andar armadas. Se por um lado o homem de bem tem dificuldades para conseguir a autorização, na marginalidade o processo não é inverso. É preciso ter credibilidade junto ao fornecedor e pagar no “cash†para comprar uma arma ilegal.
O rigor nas exigências para a aquisição de uma arma, segundo o delegado seccional Antônio Ângelo Ciocca, tem a intenção de quebrar uma dinâmica que beneficia os marginais. “A população se arma e esta arma vai para as mãos do bandido, através dos furtos e roubos. Armados, os marginais praticam todos os tipos de crimes.â€
Para o seccional, armas devem estar com a polícia, por vários motivos. “No caso da pessoa possuir o registro, a arma tem que ficar na residência dela. A casa passa a ser alvo de ladrões que pretendem se armar. Normalmente, as armas acabam na marginalidade.â€
Os acidentes domésticos com armas também são muito comuns, alerta Ciocca. “Crianças e adolescentes que pegam armas dos pais e disparam provocando mortes, inclusive.â€
No confronto entre bandido e cidadão comum, segundo o delegado, a vantagem é sempre do marginal.†Ele chega armado e surpreende a vítima. Em muitos casos, ainda obriga a vítima a entregar sua arma.’
Para quem tem porte, a desvantagem é a mesma, frisa. “No assalto em via pública, o ladrão chega colocando a arma na cabeça do cidadão. Se ele está armado tenta enfrentar e pode morrer. Se está desarmado, entrega os bens e sai vivo. A vida é um bem que não tem preço.â€
No trânsito, a experiência mostra, que o cidadão armado, não leva desaforo para casa, segundo Ciocca. “Ele enfrenta a situação, e muitas vezes comete um crime sem necessidade.â€
Sabe-se que muitas das armas apreendidas pela polícia um dia foram legais, mas que não foram recadastradas no prazo estipulado. Em função disso, o proprietário não se queixa quando elas são furtadas. Recentemente em Bauru, um crime foi cometido com uma arma furtada. O antigo proprietário alegou que não prestou queixa do furto porque a arma não tinha sido recadastrada.
Ciocca explica que tanto o registro como o porte demoram de dois a três meses. “O principal item é a necessidade do uso de armas.†Para poder andar armado, além de todos os documentos, a pessoa tem que ter conhecimento da legislação e prática em tiro.
A renovação do porte não é automática, o cidadão tem que apresentar todos os documentos necessários e passar por todos os exames, anualmente, avisa o delegado.
Para comprar uma arma, segundo o seccional, o pretendente tem apresentar a autorização do delegado. “Ele apresenta a autorização na loja para a aquisição. A arma tem que ser registrada no Sistema Nacional de Registro de Armas e no setor de armas da polícia Civil.â€
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Fila de espera
Durante uma semana a equipe de reportagem do Jornal da Cidade tentou contato com os fornecedores de arma de Bauru. Mas, desconfiados, eles não quiseram falar com a equipe. Muitas histórias de facilidade na aquisição de armas foram testadas, mas o negócio não acontece se não houver a confiança do fornecedor para com o adquirente.
A figura do intermediário é muito importante no mercado paralelo. É ele quem faz os contatos de compra e venda. O comprador quase nunca conhece o fornecedor. A arma é adquirida através do intermediário.
Não é nada fácil comprar uma arma no mercado clandestino. Muitos acreditam que basta chegar em um bar na periferia e dizer que você quer uma arma, mostrar o dinheiro e pronto. Mas, na prática isso não acontece. Antes de fechar o negócio, o intermediário comunica o fornecedor que se certifica da credibilidade do comprador. Se ele desconfiar do adquirente, não fecha o negócio.
Alguns marginais confessam que compram armas na feira do rolo, no domingo. Porém, o esquema usado é o mesmo, não basta ir à feira para comprar uma arma. É preciso ter o contato certo.
Já entre os próprios marginais, as armas andam de mão em mão. Um empresta para o outro e vários usam a mesma arma.