11 de julho de 2026
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Turquia: entrada na Europa custa caro


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Como se a União Européia (UE) não tivesse problemas suficientes com os temas pendentes e urgentes que encara, agora deve enfrentar, decididamente, o desafio apresentado pela nova situação política de seu perene candidato a membro: a Turquia. As eleições do dia 3 colocaram a questão da entrada turca na UE no centro prioritário da atenção dos dirigentes europeus.

Ninguém menciona o “tema” preciso, mas incomoda a Europa a possibilidade de incorporar um Estado (seria o segundo mais povoado da União) que, embora leigo, na realidade está composto por uma população de religião islâmica. Diante da existência da pena de morte (abolida apenas em agosto passado), algumas pautas legais questionáveis, a prática da tortura e a influência dos militares, além da questão de Chipre, a Europa optou nos últimos anos por um método pragmático de integração turca nos campos econômico, social, cultural e inclusive esportivo, e suas equipes estão integradas nos diversos campeonatos europeus. A eleição do partido islâmico coloca a UE frente a um dilema. Resistir à negociação que deveria começar no Conselho Europeu de Copenhague, em dezembro, eqüivaleria a dar uma desculpa aos setores da sociedade turca que consideram que não vale a pena entrar em concessões com Bruxelas e, portanto, melhor é continuar com a peculiaridade. Diante dessa incerteza, a Europa não deve cometer o mesmo erro em que caiu com a Argélia quando, em 1999, houve a ascensão fundamentalista e optou-se por fechar os olhos diante da dureza militar.

Por um lado, a UE deve exigir que sejam cumpridos os requisitos de entrada quanto aos três pilares: democracia e direitos humanos, economia de mercado e comportamento internacional. Por outro lado, pode precisamente usar sua participação como membro da UE como mecanismo (“vacina”) para conseguir o cumprimento destes requisitos, uma vez que a Turquia se encontre em meio ao emaranhado comunitário e, dessa maneira, se consiga garantir sua consolidação.

Por outro lado, a Europa também poderia fazer um exame de consciência e traçar um paralelo entre o AKP e a Democracia-Cristã, um pilar imprescindível da construção européia, junto com o mais leigo movimento social-democrata. Além disso, a Europa laica tem cinco Estados com religião oficial. De qualquer forma, a designação continua pendente e será preciso encontrar fórmulas inovadoras.

No momento, um estatuto especial de associação seria a solução para não continuar ignorando a presença da Turquia entre dois continentes. Mas devem ser os turcos a decidirem se querem estar mais perto de Bruxelas do que de Bagdá ou de Meca, por exemplo. E isso tem um preço. O problema é se a Turquia pode pagá-lo. (O autor, Joaquín Roy, é catedrático “Jean Monnet” de Relações Internacionais)