09 de julho de 2026
Regional

Projeto Guri estimula potencialidades

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - Longe das ruas, crianças e adolescentes entram em contato com instrumentos de cordas, sopro e percussão e formam orquestras. Esse é o propósito do Projeto Guri, que atende cerca de 17 mil alunos nos 77 pólos espalhados em todo o Estado de São Paulo.

Em Jaú, o projeto está encerrando seu primeiro ano de atividade e oferece vagas para aulas de violino, violão, viola, violoncelo, saxofone, flauta, trombone, trompete, bateria e coral.

A iniciativa, colocada em prática em 1995 pelo governo estadual, tem como objetivo desenvolver as habilidades e potencialidades de crianças e adolescentes culturalmente carentes por meio da música.

Ela é usada como agente de transformação, levando aos atendidos a recuperação da auto-estima e o fortalecimento da cidadania, criando assim uma nova perspectiva de vida.

Implantado em Jaú em março deste ano, o Projeto Guri atende 250 alunos de 8 a 18 anos e ganhou o respeito da população, que aplaudiu de pé a primeira apresentação da orquestra, feita em agosto último, no teatro municipal Elza Munerato.

A segunda apresentação está marcada para 15 de dezembro, também no teatro municipal, como parte dos festejos natalinos.

Durante as aulas, os alunos têm a oportunidade de tocar o instrumento de que mais gostam. Segundo o músico Fábio Roberto Lopes, arranjador e regente da orquestra, o projeto tem como propósito introduzir crianças e adolescentes na arte da música.

De acordo com ele, o pólo de Jaú foi considerado modelo pela Secretaria de Estado da Cultura, porque em “pouquíssimo” tempo (cinco meses) conseguiu montar uma orquestra e fazer a primeira apresentação.

A proposta do governo, com o Projeto Guri, é tirar as crianças das ruas e ocupar o tempo ocioso, colocando-as em contato com o mundo da música. Algumas delas, de acordo com o arranjador, têm potencialidade para tornarem-se bons músicos, embora as aulas visem à iniciação musical e não a formação de músicos.

Bacharel em música popular pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e com especialização em guitarra feita em conservatório de Tatuí, Fábio Lopes, 31 anos, dedica-se à música desde os 9 anos. Além do Projeto Guri, Fábio é responsável também pelos arranjos da Orquestra Experimental Fábio Lopes, uma espécie de orquestra big band dos anos 50.

Para fazer parte do projeto, a única exigência é ter menos de 18 anos. Quando o aluno chega a essa idade, ele é obrigado a deixar o grupo. Enquanto não chega à maioridade, entretanto, ele pode permanecer na escola o tempo que quiser. Não há cobrança de taxa de matrícula.

O aluno pode escolher o instrumento: violino, violão, viola, violoncelo, saxofone, flauta, trompete, trombone, bateria ou ainda integrar o coral. Ao todo, são 35 instrumentos e todos eles foram doados pela empresa Camargo Corrêa. Pela estimativa de Fábio Lopes, a empresa gastou cerca de R$ 20 mil para equipar a orquestra.

São 12 violinos, dez violões, três violas, três violoncelos, dois saxofones, duas flautas, um trompete, um trombone e uma bateria. A partir do próximo ano, Fábio acredita que a orquestra vai crescer e, com isso, vai precisar de mais instrumentos.